O embaixador cubano no Brasil, Víctor Cairo, denunciou em entrevista que o governo dos EUA busca destruir Cuba, ao mesmo tempo trata América Latina e o Caribe como territórios subordinados.
Durante a entrevista ao Grupo Record, o diplomata afirmou que o governo Donald Trump adotou medidas cruéis, reforçando, como nenhum outro, a agressão contra Cuba.
“É um governo determinado a destruir nosso país, que considera a América Latina e o Caribe povos inferiores, subordinados aos interesses dos Estados Unidos”, destacou.
Ele reconheceu que, apesar da situação atual, houve tentativas de diálogo entre Havana e Washington, mas descreveu esses esforços como muito difíceis devido ao que caracterizou como a intenção dos EUA de impor “um modelo de destruição a Cuba”.
O embaixador reiterou que a nação caribenha permanece disposta a dialogar com os Estados Unidos, mas sob princípios de respeito e igualdade soberana.
“Cuba não discute mudanças no sistema político dos EUA, nem em seus problemas sociais. Da mesma forma, não aceita que os Estados Unidos tentem mudar o sistema político cubano”, afirmou.
Segundo o diplomata, Havana está disposta a discutir questões como comércio, narcotráfico e crime organizado com Washington, mas rejeita qualquer forma de interferência em seus assuntos internos.
Essas declarações surgem em meio à crescente agressão dos EUA contra Cuba durante o segundo mandato de Trump.
O governo dos EUA manteve e fortaleceu o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à ilha há mais de 60 anos, acrescentando um bloqueio energético no início deste ano que impede o acesso a combustíveis.
Na entrevista, Cairo se referiu ao impacto do bloqueio, mencionando perdas acumuladas de cerca de US$ 2,1 trilhões desde 1960, com danos superiores a US$ 7,5 bilhões entre março de 2024 e fevereiro de 2025 e US$ 8 bilhões nos 12 meses seguintes.
Da mesma forma, relacionou o já mencionado bloqueio energético a problemas no fornecimento de combustível e na geração de eletricidade, bem como às dificuldades em garantir o funcionamento de serviços essenciais.
“Estamos lidando com um país que não permite a entrada de petróleo em Cuba. Isso tem um custo brutal para toda a economia, e como mensurar o impacto de uma mãe que dá à luz e cujo filho morre por falta de energia elétrica? Como mensurar, em termos econômicos, o impacto da mortalidade infantil em Cuba, que em menos de sete meses passou de 4 para 9,9 por mil nascidos vivos?”, questionou.
O diplomata destacou a solidariedade do Brasil com Cuba e mencionou o recente envio de 48 toneladas de leite em pó em dois voos da Força Aérea Brasileira, além de medicamentos destinados à população cubana.
Fonte: Prensa Latina
