Por María Josefina Arce.
A violência que assola o Equador, além das inúmeras mortes que causou — mais de 9.000 no ano passado — trouxe consigo outro fenômeno: o deslocamento forçado de milhares de famílias.
Nos últimos três anos, mais de 300.000 pessoas foram forçadas a abandonar suas casas devido a ameaças de morte, extorsão, assassinatos e ao perigo de recrutamento de crianças por grupos criminosos, segundo a Agência da ONU para Refugiados.
No entanto, organizações de direitos humanos estimam que o número de equatorianos que tiveram que fugir de suas comunidades devido ao alto nível de insegurança possa ser ainda maior.
Atualmente, o Equador tem a terceira maior taxa de deslocamento interno por violência na América Latina.
Os cidadãos forçados a deixar suas casas encontram-se em situação de vulnerabilidade. Perdem seu meio familiar, social e econômico e enfrentam dificuldades de acesso à moradia, saúde, educação e emprego.
Além disso, não se reconhece legalmente o deslocamento forçado por violência, observou Billy Navarrete, diretor do Comitê Permanente para a Defesa dos Direitos Humanos em Guayaquil.
Isso significa, apontou Navarrete, que o fenômeno não é discutido, nenhuma medida é tomada para proteger as vítimas, nem são criados mecanismos para monitorar e auxiliar as comunidades afetadas.
E essa crise silenciosa se aprofunda a cada dia, enquanto a violência continua desenfreada. A estratégia de segurança implementada por Daniel Noboa ao assumir a presidência do Equador em 2023 não conseguiu conter essa situação.
O governo optou por uma política de linha dura, a militarização das ruas e a declaração de estados de emergência. Mas a situação exige uma resposta abrangente que, segundo especialistas, combine proteção legal, investimento social e mecanismos de reparação.
Invisíveis — é assim que muitos descrevem as pessoas no Equador que foram forçadas a deixar suas casas devido à violência que assola o país e que veem seus direitos mais básicos violados diariamente.
