Durante anos, Cuba alcançou índices de sobrevida entre 89% e 90% em pacientes pediátricos com leucemia; hoje, esse número situa-se abaixo de 50%, devido, fundamentalmente, ao bloqueio norte-americano, detalhou a médica Olga Margarita Agramonte, presidente da Sociedade Cubana de Hematologia.
A médica explicou, com exclusividade à Prensa Latina, que não ter acesso a meios de diagnóstico e tratamentos essenciais afeta os pacientes e suas famílias.
“Durante os anos de endurecimento do bloqueio, os índices de sobrevida, qualidade de vida, cura e transplantes diminuíram consideravelmente, única e exclusivamente por causa dessa política de estrangulamento”, afirmou.
Ela alertou que pacientes com doenças hematológicas, especialmente as malignas, enfrentam riscos graves quando não conseguem obter um diagnóstico oportuno ou o tratamento adequado no momento preciso.
Essa situação, denunciou a profissional, ocorre porque o país não consegue comprar insumos, uma vez que suas contas bancárias são bloqueadas, e os bancos que permitem a realização dessas transações acabam sendo alvo de sanções ou pressões.
Comentou que, apesar dos esforços do sistema de saúde, torna-se cada vez mais complexo manter os níveis de sobrevivência alcançados em décadas anteriores.
A médica explicou que até mesmo a cura de doenças hematológicas benignas associadas à gravidez tem sido afetada. Fica cada vez mais difícil garantir uma evolução favorável para as pacientes, o que reduz as chances de um parto bem-sucedido.
“Não adianta nada o medicamento chegar quando o paciente já não está mais presente, ou quando seu quadro clínico se deteriorou a ponto de impedir sua recuperação”, observou.
Agramonte apontou outro problema decorrente desse contexto complexo: a queda nas doações de sangue. Disse que muitos doadores habituais já não conseguem doar regularmente, devido à piora nas condições de alimentação e descanso da população — agravadas pelos prolongados cortes de energia elétrica.
Diante desse cenário, destacou o esforço dos profissionais cubanos, que tentam adaptar os tratamentos às condições existentes, embora tenha reconhecido que «as doenças não se ajustam às realidades, mas sim a protocolos e tempos terapêuticos concretos».
Ressaltou também o trabalho coordenado entre especialistas de todo o país para trocar critérios, experiências e recursos, bem como a colaboração com colegas internacionais que reconhecem a situação complexa enfrentada por Cuba e a qualidade de seus especialistas.
«Tudo é muito difícil, e isso se deve única e exclusivamente a essa política. Tentam nos asfixiar», enfatizou Agramonte, ressaltando que, mesmo em meio às dificuldades, encerra cada jornada de trabalho com a esperança de reencontrar seus pacientes no dia seguinte.
Fonte: Prensa Latina
