Por Roberto Morejón.
Num contexto global caracterizado pelo uso de tarifas pelos Estados Unidos como arma de guerra e coerção econômica, a China deu um passo em beneficio da África ao suspender todas as tarifas a mais de cinquenta países africanos a partir de maio.
A medida é um passo rumo à paz, ao desenvolvimento e à construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade, afirma Pequim.
Da mesma forma, abre caminho à assinatura de acordos de parceria econômica para o progresso das nações africanas e da própria China.
Além disso, o país asiático expandirá o acesso ao seu mercado de produtos africanos, tudo isso como parte de um gesto significativo, reconhecido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
O secretário aproveitou a ocasião para encorajar todas as nações ricas a adotarem uma medida semelhante à da China, argumentando que a África precisa de livre comércio para seus produtos e não deve ser penalizada em meio às suas dificuldades.
A decisão do governo chinês ocorre num momento em que os países africanos estão tentando aumentar o número de parceiros comerciais após a ofensiva protecionista do presidente Donald Trump.
Durante seu governo, os Estados Unidos impuseram tarifas entre 10% e 30% a dezenas de países africanos; os prejudicados naturalmente querem melhorar sua situação.
O republicano foi capaz de assinar uma ordem executiva ameaçando impor tarifas aos que vendam petróleo para Cuba, alegando falsamente estar protegendo a segurança nacional dos Estados Unidos.
O presidente implementou uma guerra tarifária, mediante a qual anunciou a imposição de tarifas a mais de 180 países, com a promessa de que os Estados Unidos voltariam a ser ricos.
Sob o pretexto de proteger a indústria nacional, o magnata embarcou nessa aventura com impacto tão nocivo que não se via desde a pandemia de Covid-19.
As críticas a essa política tarifária tão agressiva chegaram a Trump desde dentro do próprio país.
Representantes republicanos votaram a favor de uma resolução que busca invalidar as tarifas que a Casa Branca impôs no ano passado sobre produtos importados do Canadá.
A China, enquanto isso, está dando uma grande lição a Donald Trump ao fazer o contrário e beneficiar os africanos.
