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A carta da ONU está sendo rasgada

por Irene Fait
Carta de la ONU

Por Roberto Morejón.

Para os defensores do papel central da ONU no mundo, apesar de suas deficiências, o surgimento do chamado Conselho de Paz em Gaza, criado por Donald Trump, representa um desafio para esse organismo multilateral.

Estadistas, especialistas e figuras proeminentes destacam as nuances desse Conselho, concebido como se tivesse um dono: o magnata do setor imobiliário.

Trump apresentou sua iniciativa no Fórum Econômico Mundial de Davos, dizendo que era, no seu entendimento, a solução para a crise em Gaza, embora com a pretensão de resolver conflitos globais.

Aí reside o principal perigo para a ONU, um organismo que, embora necessite de mudanças urgentes, muitos defendem que seja mantida como pilar do multilateralismo. Com uma organização mundial frágil, seria mais fácil para os Estados Unidos usar a força e violar o direito internacional, como fizeram na Venezuela.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou uma frase categórica quando denunciou: “a Carta da ONU está sendo rasgada”.

Lula é justamente uma das figuras que defendem uma reforma do organismo internacional e de seu Conselho de Segurança.

Mas reformar não significa substituir ou desmantelar em detrimento do sistema multilateral. Mesmo assim, cerca de vinte nações apoiaram a proposta de Trump.

Este é o mesmo ideólogo por trás de um plano incongruente para Gaza, devastada pelo genocídio perpetrado por Israel e apoiado pelos Estados Unidos.

Para esse território, onde, segundo Trump, já não há sinais de fome, o plano é construir hotéis de luxo, destinados a atrair turistas, cujas receitas certamente acabarão nos cofres de grandes empresas imobiliárias.

Os arranha-céus apagariam a memória de mais de 70.000 habitantes de Gaza assassinados pelo regime sionista, o mesmo regime que Trump convidou para fazer parte do chamado Conselho de Paz.

Em muitas capitais, se perguntam se tal conselho, com os seus membros escolhidos a dedo, defenderá a equidade e a justiça internacionais ao encarar outros conflitos globais, como propõem suas bases.

Não é coincidência que o Conselho da Paz seja projetado para fazer o que seus membros quiserem, e que Trump seja seu proprietário, mesmo depois de finalizar o seu mandato presidencial.

Em Nova York, funcionários da ONU observam com suspeita a implementação do mais recente plano de Trump, e Tom Fletcher, chefe de assuntos humanitários, afirmou que a organização “não vai a lugar nenhum”, reforçando assim sua legitimidade.

 

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