Por Roberto Morejón.
O antagonismo de Donald Trump em relação à Europa e o discurso do primeiro-ministro canadense, Mark Cartney, marcaram momentos importantes no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
“O Canadá vive graças aos Estados Unidos” foi uma frase categórica, hostil e desdenhosa. Ao pronunciá-la, Donald Trump incomodou os participantes do fórum que reúne a elite econômica do Ocidente.
Trump usou a cidade da Davos para atacar antigos aliados, vangloriar-se de vitórias fabricadas e reiterar seu desejo de controlar recursos naturais e logísticos em outras regiões.
O presidente americano se mostrou mais uma vez como o guardião dos ricos e representante dos fabricantes de armas.
O objetivo formal do encontro anual em Davos é abordar os desafios econômicos globais, mas acabou sendo ofuscado pelo ataque de Trump, que também reafirmou seu desejo de se apoderar da Groenlândia.
Mas não contou com a atenção da mídia voltada para o primeiro-ministro canadense, Mark Cartney, quem, sem mencionar diretamente seu vizinho, pediu o fim das subordinações.
O primeiro-ministro canadense instou as potências médias, como ele define seu país, a agirem em conjunto, argumentando que negociar sozinho diante de uma potência hegemônica não é soberania, mas sim aceitar a subordinação.
O líder do Partido Liberal do Canadá disse verdades que outros calam em fóruns como Davos, ao declarar o colapso da velha ordem mundial e alertar que as grandes potências usam a interdependência econômica “como instrumento de pressão e confronto”.
Trump foi injurioso, acusou o líder canadense de “não ser muito agradecido”, e disse que o país com grandes recursos naturais “recebe muitas coisas de graça”.
Apesar da falta de respeito, não conseguiu diminuir o impacto do discurso do ambientalista que dirigiu o Banco do Canadá e venceu a disputa pela liderança do Partido Liberal em meio às ameaças de Trump de anexar o Canadá.
Cartney, à frente de um país membro da OTAN e do G7, emocionou o público ao pedir ações contra o colapso da ordem internacional baseada em regras.
Foi um discurso impactante, até mesmo os aliados dos EUA perceberam que não são imunes ao escárnio de Trump.
