Por Roberto Morejón.
Com a promessa de combater a insegurança da população, a política de direita costarriquenha Laura Fernández venceu no primeiro turno as recentes eleições presidenciais no país centro-americano.
A presidente eleita, que desenvolveu a última etapa de sua carreira política à sombra do presidente cessante Rodrigo Chávez, é a segunda mulher a ocupar o cargo no país, depois de Laura Chinchilla.
Fernández afirma que cumprirá suas promessas a partir de maio, intensificando o que chama de ataque frontal ao narcotráfico, ao crime organizado e à delinquência comum. Tudo isso evidencia a drástica transformação pela qual a Costa Rica passou, um país que outrora era um refúgio de tranquilidade e não tinha exército.
Para surpresa de muitos, a Costa Rica agora enfrenta um nível alarmante de violência, a ponto de registrar a terceira maior taxa de homicídios de sua história em 2025, com 16,7 para 100 mil habitantes.
Pior ainda, 70% desses crimes estavam relacionados ao tráfico de drogas, razão pela qual Laura Fernández, candidata pelo partido Povo Soberano, insistiu em abordar a agitação generalizada.
A política conservadora recomendou declarar o estado de emergência em regiões críticas da Costa Rica, embora seus oponentes argumentassem que qualquer prisão sem mandado seria uma afronta.
Costarriquenhos preocupados traçaram paralelos entre seu país e El Salvador, governado por Nayib Bukele, que conseguiu reduzir os excessos das gangues criminosas, embora, segundo seus críticos, o preço tenha sido alto em termos de violação dos direitos dos cidadãos.
Na Costa Rica, foi dada ordem para construir uma megaprisão para os presos supostamente envolvidos com o crime organizado. Teria a mesma função do tenebroso CECOT, o Centro de Confinamento do Terrorismo, em El Salvador.
Organizações de direitos humanos enfatizaram que a resposta à violência não deve ser apenas restritiva, mas também incluir educação e oportunidades de emprego e estudo para jovens e outros cidadãos.
À espera dos primeiros passos da futura presidente em um país cada vez mais desigual e com sinais de exclusão econômica, é evidente que as políticas pró-mercado de Laura Fernández confirmam a guinada à direita que vem sendo perceptível na América Latina nos últimos tempos.
