Para Cuba, o dia 15 de janeiro de 2026 carregará para sempre a marca profunda da dor e, ao mesmo tempo, do orgulho que brota na Pátria ao acolher seus filhos que morreram para viver eternamente.
Na manhã de quinta-feira, Cuba recebeu, no Aeroporto Internacional José Martí, os bravos combatentes que tombaram na Venezuela durante a agressão do governo dos Estados Unidos.
Para prestar-lhes a primeira homenagem póstuma, estiveram presentes o General do Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana; e o Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel.
A cerimônia militar de recebimento dos companheiros que deram a vida no cumprimento do dever contou também com a participação dos membros do Bureau Político Esteban Lazo Hernández, Presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular e do Conselho de Estado; o Primeiro-Ministro Manuel Marrero Cruz; o Secretário de Organização Roberto Morales Ojeda. e os Ministros das Forças Armadas Revolucionárias e do Interior, Generais do Corpo de Exército Álvaro López Miera e Lázaro Alberto Álvarez Casas, respectivamente.
A homenagem também contou com outros membros do Bureau Político, de maneira especial o Comandante do Exército Rebelde, José Ramón Machado Ventura; e o embaixador da República Bolivariana da Venezuela em Cuba, Orlando Maneiro Gaspar.
E a poucos passos de distância, abraçandos, compartilhando sua dor, estavam as famílias dos 32 bravos homens: filhos, pais, irmãos, maridos, homens que foram fiéis ao seu dever, mesmo que isso lhes custasse caro, mesmo que lhes custasse tudo.
Além dos acordes da banda do Estado-Maior, ouviam-se soluços; todos os olhares estavam voltados para a aeronave localizada em uma das extremidades da esplanada. Não havia estridência; a solenidade havia sido tecida pelas tropas, e a tristeza, há dias, impregnava seus rostos.
Os soldados começaram a descer, carregando nos braços as urnas com os restos mortais dos heróis, envoltas na bandeira da estrela solitária, a mesma que defenderam na terra de Bolívar e Chávez, porque defender a Venezuela era também defender a nós mesmos, era uma resposta digna da história que precede o povo cubano.
Os restos mortais foram colocados em seis armões, e com eles ia a coragem que não cabe em urnas, nem em palavras; os veículos foram posicionados em frente à formação das tropas. Ao som do Hino Nacional, nossa marcha de guerra, três rajadas de tiros de fuzil sacudiram o terminal do aeroporto.
Após o toque de silêncio, o General do Corpo de Exército Lázaro Alberto Álvarez Casas discursou com a sensibilidade e o respeito de quem recebe seus irmãos caídos e, diante deles, renova, como faz toda Cuba, o juramento de lealdade à Pátria e à unidade dos povos das Américas.
“Não os recebemos com resignação, mas sim com profundo orgulho e eterno compromisso, porque sabemos, e o povo cubano aprendeu isso nas provações mais difíceis, que a morte não derrota aqueles que caem com o fuzil em punho defendendo uma causa justa. (…) Eles trazem consigo o exemplo imperecível de dedicação, coragem e fidelidade aos mais nobres ideais da humanidade”, afirmou;
E recordou aquelas horas difíceis em que o ataque traiçoeiro lançou uma sombra sobre a Venezuela e enfatizou a irmandade que nos une àquela terra, onde Bolívar e Martí, Chávez e Fidel estão entrelaçados.
Cuba, reiterou o ministro do Interior, não abandona seus filhos, não renuncia aos seus princípios, não claudica e, diante das famílias, diante da história e diante do General do Exército Raúl Castro, proclama que “em solo cubano jamais haverá lugar para a covardia e a traição”.
O inimigo, afirmou Álvarez Casas, fala eufórico de operações de alta precisão, de tropas de elite; nós falamos em meninas e meninos que terão que crescer sem o abraço daquele que ofereceu a vida pensando, precisamente, neles.
E reiterou uma certeza: o imperialismo pode ter armas sofisticadas, mas jamais poderá comprar a dignidade do povo cubano. “Sempre vamos recordá-los em cada esforço, em cada desafio, em cada vitória (…) vocês são um exemplo de honra. Vocês são uma lição para os que hesitam, um aviso para os que ameaçam”, concluiu.
Cuba sabe que os heróis são lembrados sem lágrimas, mas não devemos esquecer que “quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme”.
De cabeça erguida, como os 32 homens que acabam de se inscrever definitivamente no altar da Pátria, os soldados partiram com as urnas para receber o abraço do povo.
HONRA E GLÓRIA!
Ao entardecer de quinta-feira, como parte da sincera homenagem do povo aos heróis caídos em intensos combates na Venezuela, o General do Exército Raúl Castro, acompanhado pelo Presidente Díaz-Canel, comandou a última guarda de honra para os combatentes na sede do ministério das Forças Armadas Revolucionárias.
Logo a seguir, Raúl Castro prestou homenagem diante de cada uma das urnas, pois nelas repousam 32 valentes companheiros, que se tornaram símbolos do espírito Mambí e rebelde dos cubanos.
Homenagens também foram prestadas aos nossos mártires por membros do Bureau Político, dirigentes do Partido, do Estado, do Governo, de organizações políticas e de massa, bem como por altos comandantes das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior.
Nem mesmo a chuva persistente que acompanhou os moradores de Havana durante quase todo o dia impediu que milhares de mulheres e homens se unissem neste dia de honra e glória em que Cuba abraçou seus heróis.
