O presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que Cuba não é uma nação belicista e não representa uma ameaça aos Estados Unidos, muito menos uma ameaça “incomum e extraordinária”, alegado como pretexto para uma ordem executiva.
Durante uma entrevista exclusiva à revista americana Newsweek, Díaz-Canel disse que Cuba promove a solidariedade, mas não teme a guerra.
“Temos uma doutrina de defesa chamada ‘Guerra de Todo o Povo’, que não é uma doutrina agressiva, mas defensiva, com a participação de todo o povo”, explicou.
Reiterou que a Ilha não constitui uma ameaça aos Estados Unidos e que isso tem sido demonstrado ao longo de sua história. “Portanto, não há pretexto, nem desculpa, para os Estados Unidos recorrerem à agressão militar como forma de resolver nossas diferenças”, declarou.
No entanto, salientou, constantemente, e especialmente nos últimos meses e semanas, “temos testemunhado toda essa retórica de um representante oficial do governo dos Estados Unidos, que anuncia uma agressão militar contra Cuba, estabelece prazos para a duração da Revolução Cubana e define datas até quando vanos resistir antes que nos invadam”.
Díaz-Canel lembrou que “há uma frase muito, muito exemplar, altamente ilustrativa dessa mentalidade ultraconservadora, quando dizem que aplicaram toda a pressão possível contra Cuba, reconhecendo assim que de fato existiu um bloqueio brutal, o qual agora negam, e imediatamente acrescentam que, portanto, nossa única opção é tomar o controle e aniquilá-la”.
Especificou que essa é uma posição beligerante e agressiva, muito distante de nossas propostas de diálogo com os Estados Unidos. “Portanto, temos a responsabilidade de nos preparar para a defesa do país”, acrescentou.
O chefe e Estado argumentou que esta não é a primeira vez em nossa história; durante 67 anos, a possibilidade de agressão, de uma ameaça militar, sempre esteve presente.
E é por isso que estamos nos preparando para a defesa — não para atacar, mas para nos defender — e para que essa preparação para a defesa, essa firmeza, essa disposição do povo de defender a revolução, de defender nossa soberania e de defender nossa independência, sirva também para evitar o confronto”, declarou.
Expressou que “para os que exercemos a liderança, para aqueles de nós que foram incumbidos de responsabilidades de liderança dentro da revolução, nosso compromisso é com o povo e com a Revolução Cubana, com sua obra, com a soberania e a independência do país”.
Por conseguinte, acrescentou, isso traz consigo a convicção implícita de que estamos preparados para dar nossas vidas pela Revolução — por sua vida, por sua soberania e por sua independência. “Não estamos preocupados com nossa segurança pessoal.”
Enfatizou que o que deve ser feito é preparar o país para evitar a agressão e prepará-lo para sua defesa militar, “porque o que nos preocupa é o destino do nosso povo e o futuro da nação cubana”.
Posso afirmar com absoluta certeza e honestidade que uma ação militar contra Cuba — além de ser extremamente vergonhosa — causaria imensas perdas para ambas as nações e povos.
A perda de vidas e a destruição material seriam incalculáveis”, alertou o presidente. Disse que tal ato de agressão seria extremamente custoso em todos os aspectos. Nesse sentido, afirmou que “nossos povos merecem paz, a oportunidade de viver em um ambiente de amizade, de cooperar e de desfrutar de plena liberdade para forjar uma relação genuína e boa vizinhança”.
O chefe de Estado enfatizou que os esforços sempre serão direcionados para a prevenção da guerra.
“Trabalharemos pela paz. Mas se ocorrer uma agressão militar, responderemos, lutaremos, nos defenderemos e, se tombarmos em combate, morrer pela pátria é viver”, concluiu.
Fonte: Prensa Latina
