Por Roberto Morejón.
Todos os governos americanos aplicaram o bloqueio contra Cuba, mas os liderados por Donald Trump foram os mais flagrantes.
Só por essa razão é inaceitável e irônico que o atual governo se refira a Cuba como um perigo.
A especulação ressurgiu após a publicação de uma ordem executiva declarando estado de emergência nacional, porque Cuba, segundo o documento, representa uma ameaça para aquela potência.
Trata-se de um Estado militarizado, cujo presidente se vangloria do que chama de posse de armamento sofisticado.
Na verdade, a ordem executiva, sustentada por uma retórica desgastada da Guerra Fria, ignora intencionalmente o fato de que a única coisa pela qual Havana pode ser criticada é o envio de médicos, enfermeiros, professores e instrutores esportivos para países do Sul empobrecido.
Ao contrário dos Estados Unidos, Cuba não possui armamento ofensivo, não tem bases de inteligência estrangeiras e nega refúgio a terroristas, crime organizado e narcotraficantes.
Nessas condições, é inaceitável supor que um pequeno país com uma situação econômica muito difícil, principalmente devido ao bloqueio dos EUA, possa intimidar seu poderoso vizinho.
Se levarmos as declarações do presidente Trump ao pé da letra, Cuba estaria a ponto de “cair” devido ao que ele considera o fim do fornecimento de petróleo pela Venezuela e, sem apresentar provas, dos recursos financeiros que Caracas teria viabilizado a Havana, segundo Trump.
Então, como pode Cuba ameaçar a paz da grande potência?
Isto sim, perigo e ultimato é a ordem executiva que busca justificar a aplicação de tarifas absurdas a países que, aderindo aos princípios do livre comércio internacional, decidam vender petróleo para Cuba.
O que Washington designa é uma condenação a um povo a não se relacionar com outras nações, com base no direito internacional, no respeito à soberania e à independência e no benefício mútuo.
Com a ordem executiva, o governo dos EUA tirou a máscara que usava para afirmar que o bloqueio contra Cuba não existia.
Aqueles que advertem sobre os riscos que Cuba representa para a segurança dos EUA são os mesmos cujas ações poderiam provocar uma crise humanitária.
