Cuba sempre expressou sua disposição para dialogar com os Estados Unidos, mas com base no respeito a ambos os sistemas políticos, reiterou o presidente Miguel Díaz-Canel em entrevista publicada na sexta-feira pelo jornal mexicano La Jornada.
Sempre expressamos nossa disposição para dialogar com os Estados Unidos sobre qualquer assunto, mas sempre com base no respeito a ambos os sistemas políticos. Respeito à soberania, à dignidade, com o princípio de reciprocidade e em conformidade com o direito internacional”, afirmou.
O presidente considerou importante que ambos os lados demonstrem a vontade de “continuar avançando no diálogo” e identificar “as diferenças bilaterais que podemos resolver”. “Que haja vontade de ambos os lados para implementar medidas que ajudem e beneficiem ambos os povos. Que encontremos áreas de cooperação que nos permitam enfrentar ameaças e, sobretudo, garantir a paz e a segurança para ambas as nações e também para a região”, declarou.
“Que possamos encontrar maneiras de construir espaços de entendimento que nos permitam avançar e nos afastar do confronto. Para isso, precisamos de uma agenda, da vontade de desenvolver seus pontos e de chegar a acordos. Estamos nesse ponto”, afirmou.
Díaz-Canel enfatizou que a decisão de dialogar com os Estados Unidos é coletiva e no diálogo “nosso sistema político não está em jogo, nem qualquer decisão que pertença ao nosso povo e aos nossos órgãos parlamentares”.
Referindo-se às dificuldades decorrentes da intensificação do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à Ilha, lembrou que o ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, “um grande amigo de Cuba”, expressou que o povo da ilha “merecia um monumento”.
“Acredito que esse monumento não precisa ser de mármore ou pedra. Pode ser simplesmente um gesto que está nas mãos do governo dos Estados Unidos e do presidente: suspender o bloqueio que viola os direitos humanos de 10 milhões de cubanos”, ressaltou.
O chefe de Estado acrescentou que o governo cubano está trabalhando para encontrar soluções em meio a essa complexa situação. Sobre um suposto Estado falido em Cuba, Díaz-Canel afirmou que se trata de “uma construção muito hipócrita e injusta”.
O país que te impõe um bloqueio para te privar de tudo e te leva a situações difíceis, diz que és um Estado falido sendo ele o responsável por esses problemas”, denunciou.
Há mais de seis décadas, Washington impõe um bloqueio econômico, comercial e financeiro a Cuba, que foi intensificado em janeiro passado por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
A falta de acesso a combustível resultante dessa intensificação afeta áreas sensíveis como a geração de eletricidade, o funcionamento de hospitais, a produção e distribuição de alimentos e o bombeamento de água no país caribenho.
Fonte: Prensa Latina
