Por Roberto Morejón.
Os Estados Unidos buscam evitar brechas em suas regulamentações que possam ser exploradas por Cuba para invocar o livre comércio e adquirir combustível, mitigando assim o atual bloqueio energético.
Desde janeiro passado, um bloqueio brutal está em vigor, inicialmente imposto pelo governo Donald Trump com a ameaça de tarifas a países que forneçam combustível a Cuba.
Uma decisão da Suprema Corte suspendeu essas tarifas, mas a Casa Branca continuou a intimidar os fornecedores.
Como resultado, Cuba está há três meses sem adquirir hidrocarbonetos e opera com reservas escassas.
Os cubanos sentiram o agravamento do bloqueio tradicional dos EUA, agora reforçado pelo boicote energético.
O governo implementou um plano de contingência, com reduções em serviços essenciais como saúde, educação, transporte e agricultura, a ponto de exacerbar a já grave escassez.
Nessa situação delicada, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu Cuba na lista de exceções à medida que suspende, por um mês, as restrições a petroleiros russos retidos no mar.
Essa medida, destinada a conter a alta dos preços do petróleo causada pela agressão conjunta dos EUA e de Israel contra o Irã, parecia suficiente para que petroleiros russos pudessem descarregar combustível nos portos cubanos.
Mas o Departamento do Tesouro está tentando restringir essa possibilidade, em uma manobra que, assim como o bloqueio energético imposto em janeiro, gerou pouca oposição dos governos, com dignas exceções, incluindo as do México, China e Rússia.
Em meio a esse cenário de grave escassez ni país caribenho, o presidente Donald Trump reiterou o que chama de pretensão de tomar Cuba, ao mesmo tempo em que destaca o que ele considera que são as sérias dificuldades enfrentadas pelo país.
Obviamente, Trump não explica que essas dificuldades são provocadas principalmente pelo bloqueio imposto por Washington, especialmente o cerco de combustível.
Enquanto isso, os cubanos sofrem com apagões prolongados, já que o país praticamente não tem combustível para alimentar o que é conhecido aqui como geração distribuída.
Se esses geradores autônomos pudessem operar, as consequências de falhas e manutenções nas usinas termelétricas obsoletas de Cuba não seriam tão graves.
A nação caribenha está acelerando seu programa de instalação de painéis solares. É uma corrida contra o tempo, com o objetivo de mitigar o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, cujas ações foram condenadas pela ONU como violações dos direitos humanos.
