Por María Josefina Arce.
Mais de 30 anos se passaram desde a histórica Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, em Pequim, na China, que delineou um plano de ação para a igualdade de gênero; contudo, embora alguns progressos tenham sido feitos, as desigualdades persistem.
Um relatório recente da OIT (Organização Internacional do Trabalho) confirma essa situação em sua avaliação dos últimos dez anos no mundo.
A agência especializada da ONU aponta que as disparidades salariais entre mulheres e homens permanecem, enquanto as mulheres ocupam menos cargos de liderança.
A OIT observou que, entre os fatores que contribuem para essa situação, estão o acesso desigual à educação e à formação, a carga desproporcional do trabalho de cuidado não remunerado, a falta de transparência salarial e a fraca aplicação das leis contra a discriminação.
A realidade é que 2030, a data-meta para alcançar a igualdade de gênero, entre outros objetivos, está se aproximando, e o mundo ainda tem uma grande dívida com as mulheres.
O desafio é significativo para a América Latina e o Caribe, onde a pobreza, o trabalho informal e a violência continuam a definir o cotidiano desse segmento da população.
Embora algumas nações se destaquem, com governos progressistas adotando diversas iniciativas para reconhecer os direitos das mulheres e seu importante papel na sociedade, a recente ascensão da direita ao poder na região representou um retrocesso na garantia do empoderamento feminino, ao desmantelar políticas sociais.
De acordo com o Anuário Estatístico de 2025 da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas), a pobreza afeta mulheres e homens de forma desigual. Na faixa etária de 20 a 59 anos, as mulheres vivem níveis mais elevados de pobreza.
A CEPAL, assim como a OIT, alerta que a carga excessiva de trabalho não remunerado limita a participação de mulheres jovens na educação, no mercado de trabalho e na esfera pública e política.
Soma-se a isso a violência de gênero que atinge milhões de meninas e mulheres, comprometendo sua saúde física e mental, e um obstáculo à sua plena reintegração à sociedade.
Ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a tão esperada igualdade de gênero, que resultaria no bem-estar e na prosperidade de cada pessoa e do mundo em geral.
