Por María Josefina Arce.
Imerso em uma crise política que já viu nove presidentes em uma década, quatro deles no atual mandato, o Peru irá às urnas em abril para eleger o novo ocupante do Palácio Pizarro.
Em 12 de abril, os peruanos decidirão quem substituirá José María Balcázar, eleito pelo Congresso em fevereiro passado para suceder José Jerí, que foi destituído do cargo pelo mesmo órgão legislativo que o havia nomeado presidente em outubro passado, após a destituição de Dina Boluarte.
Trinta e cinco candidatos disputam o cargo, o que sugere a necessidade de um segundo turno, que ocorreria em junho.
E na longa lista de candidatos à presidência está, naturalmente, Keiko Fujimori, do partido de direita Força Popular, que não abandonou suas aspirações de liderar a nação andina.
Já no final do ano passado, ela havia anunciado sua decisão de concorrer novamente, um anúncio feito dias depois de o Tribunal Constitucional, em uma decisão controversa, ordenar o arquivamento de uma investigação fiscal sobre lavagem de dinheiro decorrente de contribuições da empresa brasileira Odebrecht para suas campanhas presidenciais de 2011 e 2016.
Esta será a quarta vez que busca a presidência a filha do falecido ditador Alberto Fujimori, julgado e condenado por corrupção e crimes contra a humanidade cometidos durante seu governo entre 1990 e 2000.
Keiko Fujimori concorre à presidência desde 2011. Sua última tentativa foi em 2021, quando enfrentou Pedro Castillo, do partido Peru Libre, no segundo turno das eleições. Castillo acabou vencendo, mas foi posteriormente destituído do cargo e preso por um golpe parlamentar em dezembro de 2022.
Fujimori nunca aceitou os resultados das eleições de 2016 e 2021 e, sem apresentar qualquer prova, alegou que houve fraude para impedi-la de vencer.
Agora, como nas eleições anteriores, as pesquisas novamente colocam a candidata da Força Popular entre as favoritas nas intenções de voto.
Teremos que esperar até o dia da eleição, pois, com 35 candidatos, é provável que os votos sejam dispersos.Além disso, as pesquisas mostram uma porcentagem significativa de eleitores indecisos e votos em branco.
