Por Roberto Morejón.
Com sua veemência e rigor conceitual característicos, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva advertiu o mundo sobre novas formas de colonialismo e violações da integridade territorial de Estados soberanos.
Discursando em uma reunião de cúpula na Colômbia entre a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e a África, o líder brasileiro criticou as mentiras usadas para justificar a destruição e as guerras.
Aplaudido, Lula da Silva repreendeu as potências que, em suas palavras, “levaram nosso ouro, prata, diamantes e minerais, e agora querem nos colonizar novamente”. Embora não o tenha mencionado diretamente, suas palavras retrataram o presidente dos EUA, Donald Trump, envolvido no sequestro de chefes de Estado e em guerras na busca por terras raras, petróleo e minerais.
Citando dados como o de que US$ 2 trilhões foram gastos em armas e guerras no ano passado, enquanto 630 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo, o ex-líder sindical questionou o que chamou de passividade do Conselho de Segurança da ONU.
Atribuiu a esse órgão a responsabilidade pelo fracasso da ONU em prevenir guerras, quando hoje, disse, são eles que desencadeiam conflitos.
Lula da Silva exortou a impedir que alguém se intrometa nos assuntos e entre nos territórios de nossos países. Não mencionou nomes, mas certamente estava falando na Venezuela e Cuba.
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela, sequestraram seu presidente e esposa e ameaçam até mesmo realizar golpes militares contra Cuba.
A potência do norte também estabeleceu um bloqueio energético que ameaça a sobrevivência dos habitantes da ilha caribenha. As exortações do presidente brasileiro devem ser ouvidas no Sul Global, pois muitos países estão expostos a perigos.
Essa possibilidade se torna tangível com a subordinação de governos de direita, como está acontecendo na América Latina, aos ditames de Trump.
Brasil, México e Colômbia se erguem como uma barreira contra as ilusões do atual governo dos EUA.
Em contraste com as contingências que pairam sobre Cuba, a solidariedade do Brasil e do México é evidente. Desses dois lugares chegam carregamentos de alimentos, suprimentos e painéis solares a um país assolado pela escassez criada principalmente pelo bloqueio de Washington.
