Por Roberto Morejón.
A agressão dos EUA e de Israel contra o Irã lançou um novo foco bélico no mundo, já sobrecarregado por tais contingências, enquanto continua sendo insuficiente o gasto com a produção de alimentos.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou recentemente que a fome no mundo poderia ser eliminada se os líderes mundiais agissem com sensatez e parassem de priorizar gastos com armamentos e conflitos.
Lula tem razão, já que no ano passado o mundo gastou o equivalente a US$ 2,7 trilhões em armamentos e conflitos, uma soma significativa que poderia ser usada para aliviar a fome.
Estadistas que defendem publicamente a redução dos gastos com a indústria bélica são raros; ouvimos mais daqueles que elogiam o poderio militar.
O presidente dos EUA, Donald Trump, é um deles, pois, como disse Lula, gosta de se gabar de ter o maior navio de guerra ou o maior exército do mundo.
Há inúmeros relatos sobre o aumento dos orçamentos destinados a guerras e o uso de armas novas e letais em diversos conflitos armados.
Os Estados Unidos e Israel embarcaram em uma nova aventura militar no Irã, que pode se prolongar e forçar Washington e Tel Aviv a gastar somas enormes.
Analistas disseram que a guerra no Irã custa aos contribuintes americanos mais de US$ 890 milhões por dia, um valor destinado ao financiamento de operações aéreas e navais, sistemas de armas e ataques.
Manter o porta-aviões USS Gerald R. Ford em operação custa aos Estados Unidos US$ 11,4 milhões por dia, segundo a Bloomberg.
Os Estados Unidos sofreram a perda de três caças que foram abatidos por erro sobre o Kuwait, representando um prejuízo de US$ 170 milhões.
Se a guerra no Irã continuar, o custo total poderá chegar a entre US$ 50 bilhões e US$ 210 bilhões somente para os Estados Unidos. Enquanto isso, a economia de Israel sofre por estar em um estado permanente de guerra, cujo custo pode chegar a US$ 3 bilhões por semana.
Infelizmente, muitos países continuam investindo pesadamente na indústria bélica. Como Lula salientou, é fácil alocar 5% do Produto Interno Bruto à defesa, como fez a OTAN, enquanto muitos relutam em se comprometer com os 0,7% prometidos para a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento.
