Por Roberto Morejón.
Alegando diferentes razões para dissimular, o presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu finalmente que o objetivo do ataque ao Irã em parceria com Israel era mudar o regime local. Inicialmente, nos Estados Unidos alegaram que o Irã era um inimigo porque estava no caminho de obter a arma nuclear, uma possibilidade negada pela nação iraniana.
Mais tarde, falaram em proteger manifestantes e impedir que o Irã possuísse certos tipos de mísseis, embora especialistas tenham confirmado que esses mísseis jamais poderiam atingir os Estados Unidos.
Os pretextos foram engavetados e Washington apelou às negociações sobre o que apresentou como o rumo do programa nuclear iraniano.
Muitos observadores pensam hoje que as negociações serviram como cortina de fumaça enquanto forças e recursos eram preparados para a ofensiva militar lançada em 28 de fevereiro.
Era a segunda vez em menos de um ano que Estados Unidos e Israel atacavam o Irã, sem que prevalecessem nos cálculos os riscos de perda de vidas entre suas forças armadas.
Mais uma vez, o governo americano esquivou consultar o Congresso, do mesmo modo que tinha feito quando atacou a Venezuela, sequestrou seu presidente e matou soldados e civis.
Já em plena ofensiva, Washington e Tel Aviv admitem seus planos para a mudança de regime no Irã, eliminar fisicamente seus líderes, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, e para instar os cidadãos a sairem às ruas e derrubar o governo.
Como esperado, a nação persa reagiu ao ataque conjunto, desta vez de forma mais abrangente do que em junho passado.
Governos de todo o mundo pediram moderação; infelizmente, poucos condenaram abertamente o que constitui uma violação do direito internacional e da Carta da ONU, e muitos pediram o retorno à mesa de negociações, onde houve progresso, segundo mediadores omanitas.
Muitos alertam que a agressão contra o Irã ameaça o fluxo de petróleo do Oriente Médio, o que elevaria os preços.
E enfatizam que a chamada campanha “massiva e contínua” contra o Irã desmascara as ambições dos Estados Unidos de se apoderar do petróleo em outras partes do mundo e mudar os regimes que não são do seu agrado por meio da violência, mesmo correndo o risco de irritar as bases de apoiadores de Trump, aos que prometeu não envolver o país em conflitos no exterior.
