Por Roberto Morejón.
Cuba busca implementar transformações urgentes em seu modelo econômico e social, um processo abrangente que exige precisão, visto que o país enfrenta um cerco energético, além do bloqueio imposto pelos EUA.
As definições são claras e englobam a autonomia empresarial e municipal, bem como a revisão das dimensões das estruturas do Estado, governo e instituições.
As transformações urgentes no modelo econômico e social incluem também a vinculação da produção de alimentos aos esforços e capacidades dos municípios, além da mudança na matriz energética.
A economia cubana também deve trabalhar para aumentar o investimento estrangeiro, agora com novas flexibilidades, fomentar parcerias econômicas entre os setores público e privado e promover negócios com cidadãos cubanos residentes no exterior.
Tudo isso para aumentar a entrada de divisas, desenvolver a produção nacional, especialmente a produção de alimentos, e superar os inúmeros obstáculos e escassez resultantes da intensificação do bloqueio dos EUA.
Sem dúvida, não são transformações fáceis, visto que o governo Donald Trump impôs uma barreira às importações de combustíveis.
Cuba também sofre com outro processo adverso, com os preços que exibem um aumento anual de 12,5%, devido ao excesso de liquidez e déficit na oferta de bens e serviços.
Da mesma forma, o sistema de energia elétrica é frágil, devido a falhas em usinas termelétricas, falta de manutenção causada pela escassez de moeda estrangeira e disponibilidade limitada de combustível. Mesmo em condições de boicote energético, o governo cubano não abandona uma política voltada para mitigar os efeitos da crise sobre os socialmente desfavorecidos.
Apesar das limitações, o governo está protegendo mais de 178.600 famílias, especialmente cerca de 63.000 mães com três ou mais filhos.
Transformar o modelo econômico nesse contexto desfavorável exige esforços enormes, principalmente diante das crescentes ameaças contra Cuba por parte do governo Donald Trump.
Vale lembrar que, após Estados Unidos terem atacado Venezuela e sequestrado seu presidente, Donald Trump sugeriu que a derrubada do governo cubano poderia ser o próximo passo.
Os cubanos levam a sério essas ameaças e pressões como parte de uma guerra midiática, portanto, precisam trabalhar em circunstâncias adversas para fazer as mudanças necessárias no modelo econômico.
