O analista internacional Lautaro Rivara avisou neste sábado que toda a América Latina corre o risco de uma intervenção dos EUA e comentou sobre a necessidade de ações decisivas para evitar um retorno à Operação Condor.
Em entrevista à emissora pública colombiana RTVC, o especialista advertiu sobre a gravidade das ameaças feitas pelo presidente Donald Trump após o ataque traiçoeiro das forças militares americanas contra a Venezuela e o sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro.
“Trump ameaçou metade do continente em sua coletiva de imprensa. Nenhum governo soberano está seguro, e este é o momento de agir com seriedade, decisão e força para evitar um retorno aos tempos da Operação Condor. Amanhã, a ameaça pode ser contra Cuba, México, Brasil ou Colômbia”, comentou.
A suposta luta contra o narcotráfico – disse – é uma farsa, uma desculpa, uma invenção vil para justificar a intervenção. Isso, ressaltou, nada tem a ver com o combate às drogas.
Da mesma forma, enfatizou que os Estados Unidos estão realizando o que chamou de “palestinização” da região, apropriando-se de uma porção do território venezuelano e confiscando seus ativos, recursos e infraestrutura petrolífera, o que descreveu como extremamente grave.
Além disso, ressaltou não ter dúvidas de que, nesse contexto, Colômbia é uma prioridade dentro da nova geopolítica imperial.
“Faz muito tempo que os Estados Unidos definiram que o governo de Gustavo Petro e o Pacto Histórico (partido de esquerda) são adversários. É um governo que tem buscado uma política externa soberana, que a Casa Branca não perdoará por suas posições sobre a América Latina e sobre a prática do genocídio na Palestina”, afirmou.
Lembrou que a agressão contra Colômbia se intensificou nas últimas semanas, quando o governo colombiano foi acusado, sem qualquer prova, de ser um narcogoverno, e mesmo quando foi descredenciado na luta contra as drogas.
“Essa narrativa se posiciona claramente contra a Colômbia por seu desafio à geopolítica hemisférica dos Estados Unidos”, concluiu.
“As organizações colombianas, o governo e a sociedade civil devem estar absolutamente alertas e mobilizados diante de qualquer outro tipo de agressão”, declarou.
Fonte: Prensa Latina
