Casa TodosEditorialTrump dinamita consenso latino-americano e caribenho como Zona de Paz

Trump dinamita consenso latino-americano e caribenho como Zona de Paz

por Irene Fait
Donald Trump

Por Pedro Manuel Otero.

Em seu segundo mandato na Casa Branca, Donald Trump decidiu dinamitar um dos consensos políticos mais importantes construídos pela América Latina na última década: a Proclamação da CELAC, que declarou a região uma Zona de Paz.

Essa declaração, adotada em 2014 pelos chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe, comprometia os países a resolver suas disputas pacificamente, respeitando estritamente a soberania e renunciando ao uso ou à ameaça de força na região.

Não era um tratado juridicamente vinculativo com mecanismos de sanções, mas sim uma poderosa posição coletiva contra o longo histórico de intervenções externas no continente.

Trump optou por fazer exatamente o oposto. Após meses de retórica crescente e ações militares, ordenou ataques aéreos e operações especiais em território venezuelano, alegando combater o narcotráfico e o “terrorismo”, culminando no sequestro de Nicolás Maduro em uma ofensiva que combinou bombardeios massivos em Caracas, drones e forças especiais.

Analistas descreveram o bombardeio e a operação de mudança de regime como um “golpe devastador” para o sonho da América Latina de ser uma zona de paz, pois reintroduz a guerra aberta e a ocupação militar em uma região que os próprios governos haviam declarado livre de tais conflitos.

A resposta regional tem sido desigual e revela a fratura política no continente atualmente.

Vários governos progressistas denunciaram a agressão como violação flagrante do direito internacional e da Proclamação de uma Zona de Paz, e exigiram em fóruns como a ONU e as reuniões da CELAC-UE que seja respeitada a soberania venezuelana e se retirem as tropas americanas da área.

Em troca, outros governos alinhados a Washington, como os da Argentina e do Equador, apoiaram abertamente o ataque, aceitando o argumento falacioso de Trump de que se trata de uma operação para “restaurar a democracia” e garantir os interesses energéticos ocidentais no Caribe.

Trump não pode revogar legalmente a declaração da CELAC, pois pertence ao patrimônio político construído pelos próprios países da América Latina e do Caribe.

Mas pode — e já está fazendo isso — esvaziar esse conceito de significado por meio de ações: bombardeios, bloqueio naval, captura de um presidente em exercício e negociações diretas sobre o futuro do petróleo venezuelano com grandes corporações americanas.

A luta daqui para frente será se os governos da região permitirão que essa lógica da força se torne a norma, ou se vão resgatar – com mais do que mera retórica – a promessa de uma América Latina que se viu por um instante como verdadeira zona de paz.

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