França em chamas

Por Guillermo Alvarado

Em meio a protestos para que se demita, o presidente da França, Enmanuel Macron, convocou líderes políticos de diferentes tendências para achar uma solução às manifestações que conturbam o país faz três semanas e que no sábado, 1o de dezembro, acabaram em violentos choques em Paris com centenas de detidos, feridos e consideráveis danos materiais.

Os protestos são liderados pelo movimento “coletes amarelos” (a cor de sua vestimenta) não obedecem a nenhum partido, movimento sindical ou popular conhecido.

Começou em 17 de novembro por meio das redes sociais para rejeitar a subida de preço dos combustíveis, da gasolina em primeiro lugar, que entraria em vigor em janeiro de 2019 e contundiria a economia de dezenas de milhares de famílias.

Logo se estendeu a outras demandas, sempre ligadas ao aumento do custo de vida, mas acabou se radicalizando e agora exige a renúncia do presidente, eleições antecipadas ou referendo.

Seu caráter inorgânico, todavia, é a principal vulnerabilidade do movimento que recorda as grandes marchas de maio de 1968 que quase conseguiram derrubar o governo de Charles de Gaulle.

Grupos violentos e anarquistas penetraram as mobilizações e provocaram atos de vandalismo, que foram sufocados com força excessiva pela polícia, o que causou o caos em dias recentes.

Uma pesquisa da empresa Harris Interactive para a rádio francesa RTL assinala que 70 por cento da população simpatizam com os coletes amarelos, porém 80 de 100 rejeitam a violência como método de protesto.

Nove de dez julgam que a atuação do governo e dos aparatos de segurança não estiveram à altura dos acontecimentos.

Desde que voltou da Argentina -onde participara da reunião de cúpula do G-20 – o presidente Macrón não deu declarações públicas, isto sim, visitou a zona do Arco do Triunfo, na capital, onde ocorreram os maios destroços.

Na última terça-feira, o executivo suspendeu a subida dos preços da gasolina que tinha desencadeado o descontentamento, porém os opositores consideram insuficiente a decisão e circulam novas chamadas para voltar às ruas.

Os custos econômicos e políticos são altos. O setor do transporte terrestre de mercadorias garante que a obstrução de rodovias provocaram prejuízos estimados em 400 milhões de euros e se a situação continuar a economia francesa poderá colapsar.

Um discurso do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker na Assembleia Nacional Francesa foi cancelado devido à situação política, que obrigou a fechar vários colégios, na última terça-feira.

Faltando poucos dias para o próximo Conselho Europeu – marcado para 13 e 14 de dezembro - Macrón terá que fazer um notável exercício de estadista para apagar o fogo, ou corre o risco de ser devorado pelas chamas.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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