Caso Ayotzinapa: na busca da verdade e justiça

Por: Maria Josefina Arce

Faz quatro anos, a sociedade mexicana foi abalada pelo sumiço de 43 estudantes da escola normal de Ayotzinapa, na cidade de Iguala, no estado de Guerrero. Desde então, poucas têm sido as respostas convincentes.

A posse do presidente Manuel López Obrador em1o de dezembro abre novo capítulo na vida do México e significa uma mudança radical na sua política. Uma de suas primeiras medidas foi estabelecer uma Comissão da Verdade cuja missão é investigar o caso dos estudantes sumidos.

A mencionada Comissão deverá estar formada dentro de 30 dias e contará entre seus membros com familiares dos jovens normalistas, assim como representantes das secretarias de Governação, Fazenda e Relações Exteriores e técnicos estrangeiros.

O novo governo quer encontrar a verdade com relação ao acontecido em setembro de 2014 e fazer justiça, porquanto a história contada pelo governo anterior – presidido por Enrique Peña Nieto – foi questionada por peritos internacionais e não conseguiu dar respostas a todas as perguntas.

Após terem sido detidas inúmeras pessoas, mostradas provas contraditórias e redigidos densos relatórios periciais, a Procuradoria garantiu que os estudantes tinham sido detidos pela polícia local, entregues ao cartel de Guerreros Unidos e queimados no depósito de lixo de Cocula, um município vizinho de Iguala.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos afirmou daquela feita que os estudantes não foram queimados no lixão, porque naquele lugar não se achou vestígio de que tivessem incinerado algum corpo, o que desmente a versão de alguns envolvidos.

Erros, mentiras, contradições e ocultamentos prevaleceram nas pesquisas oficiais dos fatos que envolveram – de acordo com as autoridades - o então prefeito de Iguala, José Luis Abarca e sua mulher, a polícia e o grupo traficante de drogas Guerreros Unidos.

Uma e outra vez, os parentes das vítimas denunciaram a inoperância das autoridades na clarificação dos fatos que apontavam a impunidade da polícia.

O novo governo retomará as investigações através de vários organismos, como o Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes, e a Comissão Nacional de Direitos Humanos, ao mesmo tempo, será analisada, também, a informação em poder da Procuradoria.

O presidente López Obrador afirmou que a Comissão não vai encontrar nenhum empecilho em seu caminho para realizar o trabalho, e sublinhou que respeitará a autonomia dos outros poderes, mas estará atento ao andamento das investigações, porque este caso afeta e preocupa o México todo.

O novo governo tem vontade e se compromete seriamente a clarificar os fatos que enlutaram tantas famílias mexicanas. Tomara que se consiga logo resposta à interrogação que palpita na sociedade: onde estão os estudantes sumidos de Ayotzinapa?

Editado por Lorena Viñas Rodríguez



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