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A roupa suja de Maurício Macri

G. Alvarado

O presidente da Argentina, Maurício Macri, sonha com se reeleger este ano no posto, porém, esse desejo corre risco por causa dos vários processos judiciais que o envolvem, e também a parentes próximos, colaboradores e funcionários do governo.

A lista de irregularidades é comprida. Destaque para o caso da empresa Correios da Argentina. Essa história começou nos anos 90, quando o governo do presidente Carlos Menem privatizou o serviço e o entregou ao Grupo Macri.

Essa companhia, propriedade do atual chefe de Estado, nunca pagou o que devia pela transação. Em 2002, a dívida acumulada era de 300 milhões de pesos, hoje equivalentes a mais de 4,7 bilhões se levarmos em conta a inflação desde então e as taxas de juros.

Macri fez uma manobra para tratar de driblar essas obrigações ou pelo menos pagar o montante original. Porém, a Procuradoria descobriu a trapaça e agora um tribunal deve se pronunciar a respeito na semana que vem.

Essa não é a única preocupação do presidente argentino. Ele está sob investigação por uma fraude gigantesca perpetrada através de uma empresa que cobra pedágio nas rodovias, da qual seu grupo é um dos acionistas. Eles conseguiram aumentar as tarifas e logo depois venderam o pacote de ações a 75,50 pesos, quando seu valor original era de apenas quatro.

Algo semelhante ocorreu com várias firmas ligadas à construção de parques eólicos para gerar eletricidade. A família do Presidente comprou as concessões por 25 milhões de dólares, e depois as vendeu por 74 milhões, metendo no bolso o resultado da operação.

Isso poderia parecer normal nesse tipo de negócio. Só que várias das firmas envolvidas, algumas criadas só para fazer a manobra, estavam relacionadas com o governo e obtiveram informação privilegiada. Além disso, as vendas precisavam de autorização oficial, que nunca apareceu.

Outro assunto duvidoso foi a venda da Macri Air à companhia aérea colombiana Avianca depois de o chefe de Estado ter prometido que lhe garantiria a concessão de 36 rotas dentro do país, promessa efetivada em fevereiro de 2017.

Na época, Macri Air era proprietária de somente quatro aviões em mal estado, avaliados em pouco mais de um milhão de dólares. Mesmo assim, recebeu 10 milhões na transação, ficando evidente que o pagamento não foi pelas aeronaves, e sim pela entrega das concessões.

Todos esses delitos poderiam ser tipificados como associação ilícita, tráfico de influência e negociações incompatíveis com o exercício da administração pública.

Enquanto a família do presidente argentino enchia seus cofres com dinheiro proveniente de operações duvidosas, milhões de cidadãos mergulharam na pobreza. Assim, mais ou menos, é como funciona o neoliberalismo.

Editado por Lorena Viñas Rodríguez
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