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Os grandes desafios do novo presidente

O novo presidente do Panamá, eleito domingo passado, tem grandes desafios pela frente. Nos pleitos gerais também foram eleitos o vice-presidente, deputados para a Assembleia Nacional e o Parlamento Centro-americano, prefeitos e vereadores, todos com os respectivos suplentes.

A participação dos eleitores foi elevada, de 76 por cento. E os resultados mostraram que os panamenhos estão fartos da política neoliberal do atual mandatário, Ricardo Martinelli, homem de direita e aliado fiel dos Estados Unidos.

Varela, do Partido Panameñista, ganhou com 39 por cento dos votos, deixando para trás José Domingo Arias, do Movimento Liberal Republicano Nacionalista e do partido Cambio Democrático de Martinelli, que manteve intromissão permanente em sua campanha política, apesar de a Constituição Nacional proibi-la.

As eleições tiveram como pano de fundo as greves por tempo indeterminado de operários, professores e trabalhadores da construção, que exigem aumentos salariais, entre outras reivindicações.

Manter o crescimento econômico e fazer com que os benefícios desse crescimento cheguem a todos os setores populacionais deve ser uma das prioridades das novas autoridades. Se bem que o Panamá cresceu mais de 8 por cento ao ano, nos últimos cinco anos, tal crescimento não aumentou o bem-estar da população.

Para os especialistas, o crescimento econômico só beneficiou a elite. Nesse sentido, o analista Jaime Porcell afirmou: “os milionários são mais milionários à custa do sofrimento dos de baixo”.

O Panamá exibe a segunda pior distribuição de renda da América Latina. Segundo os últimos dados da CEPAL – Comissão Econômica da América Latina - quase 37 por cento de todos os panamenhos vivem na pobreza e dentre eles 17 por cento na extrema pobreza.

Entre os povos originários 98,4% da população são pobres e 90% desse segmento vivem na extrema pobreza. A nova administração também deverá levar em consideração a oposição dos indígenas à construção de obras hídricas que prejudiquem suas comarcas, estamos falando concretamente do caso de Barro Blanco.

Por outro lado, mais de um terço dos panamenhos trabalham no setor informal e milhares carecem de água tratada e de serviços básicos devido a inexistência de programas sociais que impulsionem os setores menos favorecidos.

Varela receberá um país com uma enorme dívida pública, mais de 20 bilhões de dólares, consequência de um plano de investimentos, considerado anárquico e com uma questionada utilidade para a cidadania.

Sem dúvida, os panamenhos elegendo Valera castigaram Martinelli, um multimilionário, dono de uma rede de supermercados, cujo governo foi déspota e autoritário para a grande maioria. No plano interno, confrontou com os indígenas, camponeses, estudantes, operários, empresários, e até com a imprensa. Já no plano externo, assumiu atitude de ingerência nos assuntos domésticos da Venezuela.


 

Editado por Juan Leandro
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