Eduardo Galeano, intelectual imprescindível em Nossa América

A implacável morte acaba de arrebatar-nos a presença física do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Não obstante suas ideias continuam sendo imprescindíveis para explicar as profundas contradições de nossa região. As mesmas que ele analisou através de uma história contada com palavras agudas, duras e, em ocasiões, cheias de sarcasmo, mas sempre certas e carregadas de um humor popular.

Segundo o pedagogo brasileiro Paulo Freire, a condição indispensável para alcançar a liberdade é permitir ao oprimido tomar consciência de sua situação e oferecer-lhe as ferramentas para transformá-la.

Galeano foi um mestre nessa arte e seus livros, particularmente “As veias abertas da América Latina” se transformaram na primeira guia ideológica de muitos líderes populares.

Seus textos podem se qualificar como belos, precisamente pela sua simplicidade, sem palavras elaboradas demais, nem doutrinas difíceis de compreender. Ele escolhe a realidade e a história como testemunhos para nos ensinar o por quê do que somos e como estamos.

Sua partida, como disse o presidente do Equador, Rafael Correa, nos deixou aos latino-americanos e caribenhos com as veias abertas, mas também cheios de esperança. Foi esta a principal protagonista de sua obra, que nos levou pela mão até a criança desamparada, à mulher violentada, o negro e o índio desprezados, e nos mostrou o ser humano que há por trás de cada história de dor.

Qualificado por Evo Morales como defensor da dignidade e da soberania e mestre da descolonização de nossos povos, Eduardo Galeano é necessário justo agora. Neste momento em que a luta contra os opressores deve ser com as ideias, os princípios e a fidelidade.

Numerosos líderes de todo o planeta manifestaram sua tristeza, porque como disse o poeta John Donne, em 1624, “a morte de qualquer homem me diminui”, então nós podemos dizer que a morte de alguém como Galeano nos arranca um enorme pedaço do coração.

Mas para superar a dor, despeçamos Galeano com Galeano. Lembremos suas palavras quando disse: “Embora estejamos mal feitos, não estamos terminados; e é a aventura de mudar e de mudar-nos a que faz que valha a pena este piscar na história do universo, este fugaz calor entre dois gelos, que nós somos”.

(G.A – 14 de abril de 2015)

Editado por Juan Leandro



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