O presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu no sábado em Miami os líderes latino-americanos que “compartilham as mesmas prioridades” de sua agenda política, na chamada Cúpula Escudo das Américas.
No evento, realizado no clube de golfe do presidente republicano, foi oficialmente lançada a nova aliança de países, que fratura a região.
O Escudo das Américas de Trump é sua aliança com 12 líderes da região que compartilham sua ideologia, que representa mais um passo na visão geopolítica deste governo.
A política imperialista da Doutrina Donroe, refletida na Estratégia de Segurança Nacional, é o renovado princípio de “América para os americanos”, proclamado há mais de 200 anos por James Monroe para dominar esta parte do mundo.
Segundo Trump, a região foi negligenciada pelos Estados Unidos durante muitos anos, razão pela qual estão formando um escudo comum para promover prioridades compartilhadas no hemisfério.
O presidente republicano reiterou sua retórica sobre uma região que enfrenta sérios problemas ligados ao narcotráfico e à violência, alertando que “a maior parte das drogas entra pelo México”. Até recentemente, lembrem-se, era a Venezuela.
Enfatizou a necessidade de erradicar os cartéis de drogas e propôs restaurar a lei e a ordem por meio de uma política de tolerância zero contra as gangues.
“Aqueles que estupram e matam devem ser removidos da sociedade” para garantir a segurança dos cidadãos, disse.
Trump afirmou que, do jeito em que combateu o terrorismo no Oriente Médio, “temos que fazer a mesma coisa para erradicar os cartéis” em nosso hemisfério, e “ Estados Unidos farão tudo o que for necessário para proteger nossa segurança nacional”, insistindo que a lei e a ordem prevalecerão no continente, como se esta parte do mundo fosse uma extensão dos Estados Unidos.
O presidente americano se gabou de que hoje o governo tutelado de Delcy Rodríguez na Venezuela “está fazendo um grande trabalho” e o petróleo “está começando a fluir”.
Em 3 de janeiro, Trump ordenou um ataque em grande escala contra a nação sul-americana que culminou com o sequestro do seu presidente constitucional, Nicolás Maduro, que, juntamente com sua esposa Cilia Flores, foi tirados à força e levados para uma prisão nos Estados Unidos.
Trump também se gabou de uma operação conjunta contra o tráfico de drogas no Equador e da guerra que iniciou com Israel contra o Irã.
FOTO OFICIAL
Na foto oficial estão os presidentes da Argentina, Javier Milei; Bolívia, Rodrigo Paz; Costa Rica, Rodrigo Chaves; Equador, Daniel Noboa; República Dominicana, Luis Abinader; El Salvador, Nayib Bukele; Guiana, Mohamed Irfaan Ali; e Honduras, Nasry “Tito” Asfura. Também o presidente panamenho, José Raúl Mulino; do Paraguai, Santiago Peña, e de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissesar, bem como o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
México, Colômbia e Brasil não foram convidados para a celebração do Escudo.
A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA também especifica como um de seus objetivos na América Latina a eliminação ou redução da influência da China.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os participantes da reunião “são os líderes desses países que formaram uma coalizão histórica para colaborar e combater os cartéis criminosos narcoterroristas e a imigração em massa, não apenas para os Estados Unidos, mas em todo o continente”.
Por sua vez, o Departamento de Estado descreveu a reunião como um momento em que “os Estados Unidos darão as boas-vindas aos nossos melhores aliados de ideias afins em nosso hemisfério para promover a liberdade, a segurança e a prosperidade em nossa região”.
A Cúpula do Escudo das Américas foi o pretexto perfeito para a Casa Branca entrar em cena quando, devido a divisões, a possibilidade de realizar a Cúpula das Américas na República Dominicana em 2025 fracassou.
Fuente: Prensa Latina
