Por Roberto Morejón.
Duas coisas significativas entraram no espinhoso tabuleiro geopolítico entre os Estados Unidos e Cuba quando uma delegação oficial chegou a Havana e o Departamento de Estado anunciou uma oferta de ajuda.
Uma delegação comandada pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com autoridades do ministério do Interior cubano em Havana. Foi o primeiro voo governamental dos Estados Unidos para Cuba, com exceção de Guantánamo, desde 2016.
É um aspecto que chama a atenção nos contatos que ambos os lados mantêm para analisar as numerosas tensões bilaterais.
No caso de Cuba, essa tensão se traduz no endurecimento do bloqueio e no impacto do cerco energético.
Enquanto os cubanos lembravam a Ratcliffe que Cuba não representa uma ameaça par a segurança nacional dos Estados Unidos, meios de imprensa destacavam a pressão contínua da Casa Branca sobre Cuba.
Alguns desses veículos de comunicação insistiram que a viagem do oficial não deveria ser interpretada como uma normalização das relações com Cuba e que a imposição de condições continua.
A Casa Branca insinua que não deseja provocar o que chama de caos na Ilha, mas está longe de admitir que o agravamento das dificuldades materiais no país tem a ver, em boa parte, com a intensificação do boicote econômico e energético.
Enquanto aconteciam as negociações em Havana, o jornal The New York Times confirmava o aumento dos voos de vigilância ao redor de Cuba, utilizando aviões de espionagem, um exemplo de que as pressões continuam.
Vale lembrar que Donald Trump assinou as ordens executivas de 29 de janeiro e 1º de maio, esta última estabelecendo sanções adicionais a entidades de terceiros países que fazem negócios com Cuba.
Enquanto essas ordens executivas estão sendo implementadas, o Departamento de Estado ofereceu a Cuba US$ 100 milhões em ajuda.
O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, enfatizou a aparente generosidade daqueles que submetem o povo cubano a punição coletiva e, ao mesmo tempo, falam na entrega de ajuda por meio da Igreja Católica.
O governo cubano ressaltou que não rejeita ajuda externa se esta for apresentada com objetivos genuínos de cooperação.
Abriram-se, assim, duas vias de diálogo, que, por ora, podem conter a ânsia de agressão militar por parte dos EUA, mas os cubanos estão muito atentos às manobras políticas, aos voos de espionagem e às frequentes diatribes belicistas de autoridades americanas
