Stéphane Dujarric, porta-voz do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, reiterou que o endurecimento do bloqueio dos EUA contra Cuba está atualmente tendo graves consequências humanitárias.
Em sua coletiva de imprensa diária, o porta-voz explicou que a impossibilidade de importar combustível está afetando hospitais, tratamentos médicos vitais e a distribuição de alimentos para o povo cubano.
“Posso afirmar que continuamos profundamente preocupados com a deterioração da situação causada pela impossibilidade de importar combustível. Isso desencadeou uma crise energética”, enfatizou. A ONU reitera sua condenação ao bloqueio dos EUA contra Cuba. Em janeiro, o porta-voz adjunto do Secretário-Geral, Farhan Aziz Haq, reafirmou a posição da organização a favor do levantamento desse cerco unilateral.
“Como sabem, a Assembleia Geral tem reiteradamente apelado ao fim do bloqueio contra Cuba”, afirmou o porta-voz em resposta a uma pergunta da agência de notícias Prensa Latina (PL) sobre o reforço dessa política, após a ordem executiva de Donald Trump, de 29 de janeiro, que privaria a Ilha do acesso ao petróleo.
“Instamos todos os Estados-Membros a cumprirem as resoluções da Assembleia Geral”, acrescentou.
Uma ordem executiva emitida pela Casa Branca em 29 de janeiro e assinada pelo presidente republicano declarou “uma emergência nacional” rem relação a Cuba e, para enfrentar tal emergência, considerou “necessário e apropriado” estabelecer um sistema de tarifas (que posteriormente revogou) contra os países que forneçam “direta ou indiretamente” qualquer tipo de petróleo a Cuba.
Dias antes da volta de Trump à Casa Branca, no ano passado, a ONU confirmou à Prensa Latina que acolheu favoravelmente “o anúncio dos EUA, de 14 de janeiro, relativo, entre outras medidas, à remoção de Cuba da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo”.
Uma ação tardia do governo Joe Biden, mas que representou um passo na direção certa.
No entanto, uma semana depois de assumir o cargo, em suas primeiras horas na Casa Branca, Trump reverteu a decisão de Biden por meio de uma ordem executiva, sem apresentar novas evidências e desconsiderando o trabalho e o julgamento de suas próprias agências federais.
Cuba foi incluída nessa lista pela primeira vez em 1982, durante o governo do republicano Ronald Reagan, até que, em 2015, o presidente democrata Barack Obama removeu a designação, considerando-a injustificada.
O atual governo dos EUA persiste em ignorar o apelo quase unânime da comunidade internacional para a cessação do bloqueio ilegal e desumano contra Cuba, expresso em 33 resoluções da Assembleia Geral da ONU.
Fonte: Prensa Latina
