Por Roberto Morejón.
Coincidindo com o descarregamento de combustível de um petroleiro russo em um porto cubano, após três meses de bloqueio energético dos EUA, Havana e Moscou assinaram importantes acordos durante negociações no país euroasiático.
O vice-primeiro-ministro e ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, esteve em São Petersburgo com o objetivo de estreitar laços com a Rússia em um momento crítico para a Ilha.
Os dois governos assinaram oito acordos de cooperação, e o vice-primeiro-ministro russo, Dmitry Chernyshenko, reafirmou o compromisso do Kremlin em fornecer apoio e ajuda humanitária a Cuba.
No âmbito das negociações da comissão bilateral conjunta, foi revelado que as conversas avançaram no que diz respeito ao aumento da participação de empresas russas na exploração e produção de petróleo, bem como em projetos de geração de energia elétrica em Cuba.
Essas negociações são cruciais, dada a crise energética em que o governo Donald Trump mergulhou a nação caribenha.
Os cubanos adotaram planos de contingência em resposta à decisão de Trump de bloquear o fornecimento de combustível para Havana. Há grave escassez de combustível em Cuba, não obstante o alívio parcial que proporciona a chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin ao porto de Matanzas.
É o navio mais aguardado pelos cubanos em décadas, considerando o bloqueio energético e a perseguição dos Estados Unidos a petroleiros com destino à Ilha.
Nesse contexto, agravado pela suspensão dos embarques de petróleo da Venezuela, os cubanos agradecem à Rússia, que, como afirmou o porta-voz presidencial Dmitry Peskov, considera um dever oferecer assistência a este país.
Nas palavras do vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, Cuba é o parceiro mais confiável no Caribe, e essa ajuda é mais necessária do que nunca.
A chegada do Anatoly Kolodkin e os acordos assinados entre Cuba e Rússia oferecem esperança em um ambiente muito hostil, marcado pelas ameaças de Trump.
O presidente americano, em tom arrogante, disse que “permitiram” a chegada do navio russo, mas não deixará de privar Cuba de recursos energéticos.
Cuba, cujo governo confirmou conversas exploratórias com os Estados Unidos, não renuncia ao seu direito de adquirir combustível de outras nações.
Estados Unidos está tentando restringir esse direito, e os cubanos aguardam que a comunidade internacional denuncie essa arbitrariedade.
