Por Maria Candela Hechavarria.
Quando os ecos da agressão militar conjunta EUA-Israel contra o Irã ainda eram palpáveis, o presidente argentino de extrema-direita, Javier Milei, viajou a Jerusalém para se encontrar com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Em sua terceira visita a Israel como presidente, Milei reafirmou seu alinhamento com o governo de Netanyahu e seu apoio incondicional à guerra contra o Irã.
Enquanto uma trégua frágil e tensa se desenrolava no Oriente Médio, o argentino foi homenageado por seus anfitriões israelenses em meio a celebrações nacionais.
Milei, que visitou o Muro das Lamentações, um dos lugares sagrados do judaísmo, em Jerusalém, onde orou brevemente, e mais tarde assinou os chamados Acordos de Isaac com seu parceiro Netanyahu, a pedra angular da aliança que ambos proclamam com tanto orgulho.
Este acordo visa fortalecer a cooperação bilateral e abrir uma janela de oportunidade para o regime sionista na América Latina.
O visitante eufórico, homenageado com a Medalha Presidencial de Honra de Israel, proferiu uma frase que ganhou destaque na imprensa: “Não seremos capazes de coexistir com certas culturas”.
A referência beligerante ao Irã lembrou uma declaração recente do presidente dos EUA, Donald Trump, por quem Milei nutre predileção.
O republicano chegou a dizer, para justificar sua guerra conjunta com Israel contra o Irã, que estava preparado para aniquilar uma civilização inteira.
Uma ameaça que muitos levaram a sério e que gerou alarme até mesmo no Vaticano. As semelhanças entre as duas mensagens deleitam o presidente argentino, que demonstrou sua devoção tanto por Tel Aviv, quanto por Washington.
Milei viajou para Israel deixando seu país em meio a tensões econômicas e políticas, atolado no peso do escândalo gerado por Manuel Adorni, um de seus colaboradores, e quando as pesquisas revelam crescente descontentamento com presidente argentino.
Milei não encontrou um ambiente acolhedor em Israel. O país está sujeito ao isolamento internacional devido ao genocídio em Gaza, à repressão na Cisjordânia e aos ataques no sul do Líbano.
O primeiro-ministro Netanyahu sente o peso das investigações abertas contra ele e seu ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, no Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra.
São trajetórias diabólicas que Milei não pode apagar, mesmo dedicando-se, em Israel, a imitar festivamente um famoso cantor internacional.
