Por María Josefina Arce.
Dois meses após o presidente de extrema-direita José Antonio Kast assumir a presidência do Chile, a desaprovação de seu governo cresce a cada dia.
As pesquisas de opinião revelam que o presidente mal ultrapassa 30% de aprovação entre o público, enquanto quase 60% desaprovam seu gabinete.
Diversos fatores contribuem para esses resultados, sendo um deles particularmente sensível para a sociedade chilena: o possível indulto presidencial para policiais e militares condenados por violações de direitos humanos durante a violenta repressão da revolta social de 2019.
Essa revolta, que ocorreu durante a presidência de Sebastián Piñera, foi desencadeada por um aumento na tarifa do metrô e se transformou em um protesto massivo contra as desigualdades vigentes no país.
O uso excessivo da força policial contra os manifestantes deixou cerca de 30 mortos e milhares de feridos, incluindo mais de 460 com lesões oculares.
Agora, o descontentamento também cresce e, em tão pouco tempo à frente do país, Kast já enfrentou protestos que rejeitam as medidas anunciadas em diversas áreas.
A maioria dos chilenos discorda da suspensão de 43 decretos ambientais, promovidos pelo governo anterior, liderado por Gabriel Boric.
Consideram a decisão um retrocesso em questões ambientais, pois suspende medidas de proteção para espécies ameaçadas de extinção, como o pinguim-de-humboldt, e a criação de parques nacionais, além de regulamentações para emissões de usinas termelétricas.
Outro aspecto que gerou inúmeras críticas foi o aumento do preço do combustível, por meio de um decreto presidencial, que contribuirá para a elevação do custo de vida, com um impacto claro no bolso dos chilenos.
Soma-se a isso o controverso Plano Nacional de Reconstrução, apresentado ao Congresso, que inclui, entre outras medidas, a redução do imposto de renda corporativo, a simplificação das licenças ambientais e ajustes no sistema de ensino superior, com limites para o ensino gratuito.
Hoje, no Chile, o descontentamento social está crescendo e a aprovação popular do presidente José Antonio Kast está despencando, apenas dois meses após sua posse.
