O America First Policy Institute (AFPI), um think tank ultraconservador dos EUA, recomendou aumentar a pressão sobre Cuba em um relatório tendencioso, baseado no que agora caracteriza a narrativa contra a ilha: mentiras e calúnias.
A partir do título, “A Ditadura Vizinha: Cuba e a Luta pelo Hemisfério Ocidental”, o documento de 42 páginas alinha-se ao discurso em Washington desde o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025.
Apresenta a nação caribenha como uma ameaça à segurança nacional dos EUA, um Estado patrocinador do terrorismo e um perigo no Hemisfério Ocidental — visões que se alinham com a postura da atual administração em relação à Ilha.
O relato fez uma série de recomendações ao Poder Executivo sobre sua estratégia em relação a Cuba, com base na doutrina de política externa e econômica “América Primeiro”, que prioriza os interesses dos EUA acima de tudo.
Entre as sugestões do documento, divulgado ontem, estão: aumentar a pressão econômica e as sanções; restabelecer presença militar permanente dos EUA no Caribe; designar de maneira permanente forças navais, da Guarda Costeira, de inteligência, aéreas, cibernéticas e de operações especiais para o Comando Sul, e ampliar as designações de terrorismo contra Cuba.
O relatório também recomenda, por exemplo, a revisão da adequação do Partido Comunista de Cuba (PCC) e de outras instituições e organizações cubanas aos critérios unilaterais de Washington para a designação como Organizações Terroristas Estrangeiras.
Diversas nomeações feitas por Trump para seu gabinete, quando se mudou para a residência oficial na Avenida Pensilvânia, vieram do AFPI, como Brooke Rollins, sua Secretária da Agricultura. Linda McMahon, a atual Secretária da Educação, também presidiu o conselho de diretores do AFPI, enquanto a ex-Procuradora-Geral Pam Bondi supervisionou os assuntos jurídicos do grupo.
Este think tank foi fundado em 2021 por Rollins e Larry Kudlow, ex-diretor do Conselho Econômico Nacional durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021).
Para alguns observadores políticos, a AFPI conseguiu colocar mais membros em posições de destaque do que a Heritage Foundation, o think tank conservador que elaborou o controverso Projeto 2025, outrora descrito como uma espécie de roteiro para o segundo mandato de Trump.
Em entrevista à Prensa Latina em maio passado, o Ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, enfatizou que o argumento de uma suposta ameaça de Cuba é falacioso e ridículo. Afirmou que “tem como objetivo manipular a opinião pública americana, cubana e mundial”.
Cuba, disse, não representa uma ameaça ao governo dos Estados Unidos, nem à segurança nacional ou à política externa deste país, em primeiro lugar porque é uma pequena ilha e os Estados Unidos são uma superpotência nuclear, e em segundo lugar porque Cuba tem um profundo compromisso com a paz.
E insistiu que Cuba é uma nação “que sempre contribuiu para a preservação da paz e da segurança internacional, hemisférica e regional, e que tem dado contribuições muito importantes para a paz”.
Fonte: Prensa Latina
