O ministro das Relações Exteriores Bruno Rodríguez, que comanda a delegação cubana presente no Segmento de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, participou na quinta-feira da Reunião de Ministros das Relações Exteriores da Conferência Ibero-Americana.
Nesse fórum, enfatizou “a confiança de que a 30ª Cúpula Ibero-Americana possa ocorrer em um clima de fraternidade, levando em consideração os interesses de todos e as posições de consenso histórico da Comunidade”.
Devido à sua importância, publicamos na íntegra o discurso do Ministro das Relações Exteriores de Cuba na Reunião de Alto Nível para Abordar as Ameaças Existenciais Representadas pela Elevação do Nível do Mar. Assembleia Geral, 81ª sessão.
Senhora Presidente:
O sistema multilateral construído para responder ao desafio das mudanças climáticas continua a sofrer com uma crise na implementação dos compromissos e acordos assinados, principalmente na área das finanças climáticas.
Estamos preocupados com a tendência negativa na mobilização e disponibilização de finanças climáticas por parte dos países desenvolvidos, bem como com a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. Os países industrializados são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas e deveriam arcar com a dívida climática.
No caso de Cuba, nossos cientistas projetam uma elevação considerável do nível do mar até o final do século, o que afetaria gravemente 122 assentamentos humanos até 2050 e 136 até 2100.
Nossa capacidade de resposta é continuamente limitada pelo endurecimento sem precedentes do bloqueio imposto pelo governo dos Estados Unidos contra o meu país, incluindo um bloqueio energético criminoso que constitui um ato de genocídio e punição coletiva. É a sinistra combinação de uma ameaça natural e uma política deliberadamente concebida para causar sofrimento e danos humanitários.
As mudanças climáticas não podem ser combatidas enquanto essas políticas sçao implementadas. Para conter as mudanças climáticas, é preciso mudar a ordem mundial. Não se pode conter as mudanças enquanto a corrida armamentista se intensifica e os recursos financeiros e tecnológicos para aqueles que mais precisam diminuem.
Devemos agir com maior solidariedade, cooperação internacional e justiça climática, e garantir o acesso real ao desenvolvimento para os países do Sul Global.
Muito obrigado.
