Em meio ao bloqueio energético e ao bloqueio econômico que visa estrangular a nação, Cuba encontrou suas próprias soluções em seu petróleo bruto nacional, baseadas em ciência e inovação.
Especialistas consideram o petróleo bruto cubano fundamental na transição para um modelo energético mais sustentável, tanto por sua contribuição para a estabilidade energética quanto por seu potencial de otimização futura.
Este foi o tema da última reunião do Conselho Nacional de Inovação, presidida pelo chefe de Estado Miguel Díaz-Canel. Foram apresentados os resultados de uma tecnologia para o aproveitamento do petróleo bruto nacional, desenvolvida pelo Centro de Pesquisa do Petróleo (Ceinpet), baseada em termoconversão, um projeto que demonstra que o petróleo bruto cubano, de alta densidade e alta viscosidade, pode de fato ser processado utilizando soluções produzidas internamente.
Durante o encontro, Díaz-Canel enfatizou a importância dessa conquista científica, resultado de anos de trabalho do centro de pesquisa vinculado à União Cuba Petróleo (CUPET).
O presidente cubano lembrou que muitos haviam sugerido que esse petróleo bruto não poderia ser refinado; contudo, a pesquisa e a colaboração levaram a resultados positivos.
A esse respeito, o presidente observou que “é importante que um centro de pesquisa dentro de uma rede empresarial, como CUPET, tenha a capacidade de alcançar essas contribuições científicas. Isso significa que o conhecimento é gerado não apenas em nossas universidades, mas também em um centro de pesquisa dentro de um setor crucial como o setor energético”.
Díaz-Canel destacou que “isso demonstra, mais uma vez, que nosso país tem capacidade para a ciência, a inovação e para abordar problemas complexos a partir de uma perspectiva científica e inovadora, encontrando soluções para os desafios estratégicos do país. Essa é uma mentalidade que devemos continuar a cultivar para que permeie todas as áreas de nossa economia e sociedade”.
DA CIÊNCIA, CONTRIBUIÇÃO DA UNIÃO CUBA DE PETRÓLEO
Refinar o petróleo bruto nacional é um grande desafio para a indústria cubana e para os especialistas do setor. Seu alto teor de enxofre e alta viscosidade tornam o processamento extremamente difícil. Para isso, é necessário usar nafta, que tradicionalmente é obtida a partir do petróleo bruto importado; mas, em meio a essa adversidade, como podemos superar o problema e tornar nosso petróleo bruto comercializável?
Como explicou à Equipe de Comunicação da Presidência o engenheiro Irenaldo Pérez Cardoso, vice-diretor de CUPET, a termoconversão é um processo projetado principalmente para reduzir a viscosidade do petróleo bruto sem a necessidade de misturá-lo com nafta, um produto que tem estado em falta devido ao bloqueio intensificado e agora ao brutal cerco energético imposto por Washington.
“Este processo está em desenvolvimento há muitos anos e já houve progresso na engenharia; e o que estamos apresentando aqui hoje é justamente o passo rumo ao desenvolvimento de uma planta piloto, que levaremos para uma de nossas refinarias no centro do país, especificamente a refinaria Sergio Soto em Cabaiguán. De lá, aproveitaremos as condições que temos hoje: as instalações, o vapor, a água, a eletricidade e a experiência da equipe dessa refinaria, que processa esse petróleo bruto desde 2010”, comentou o especialista.
Em meio a um dos cenários mais complexos que Cuba já enfrentou, a ciência e a inovação — promovidas pelo governo nacional como um de seus pilares estratégicos — estão impulsionando a utilização de todos os seus recursos, incluindo seu petróleo, com características que dificultam seu processamento.
Especialistas acreditam que, nessa situação, poder utilizar os recursos disponíveis é um passo importante no desafiador caminho rumo à soberania energética.
Fonte: Angélica Paredes López.
