Casa TodosComentárioA interferência de Trump nos processos eleitorais na América Latina

A interferência de Trump nos processos eleitorais na América Latina

por Irene Fait
Donald Trump y Abelardo De la Espriella.

Por María Josefina Arce.

 

A intervenção nos assuntos internos de outras nações sempre está presente na política externa dos EUA. América Latina e o Caribe têm sido alvo dessa prática desleal que viola o direito internacional.

Desde a proclamação da Doutrina Monroe em 1823, Washington determinou que seria o guardião do Hemisfério Ocidental. Intervenções militares, golpes de Estado e pressões de todos os tipos, inclusive econômicas, têm ocorrido na região.

Seja de maneira aberta ou encoberta, sucessivos governos dos EUA agiram contra outros países para impor seus interesses geopolíticos.

O atual governo dos EUA, liderado por Donald Trump, tornou esse padrão de longa data mais pronunciado, buscando impor seus desígnios e pontos de vista a outros povos. Um exemplo claro e recente foi sua interferência no processo eleitoral na Colômbia, que no dia 21, no segundo turno, escolherá o sucessor de Gustavo Petro como presidente da nação sul-americana.

Trump deu abertamente o seu apoio total e irrestrito ao candidato de extrema-direita Abelardo De La Espriella, que enfrentará o candidato de esquerda Iván Cepeda.

O presidente americano afirmou que o resultado das eleiççoes será “muito importante para o futuro da Colômbia e sua relação com os Estados Unidos”. Uma clara mensagem política.

Suas palavras geraram rejeição não apenas na Colômbia, mas também nos Estados Unidos. Legisladores da Câmara de Representantes dos EUA declararam em comunicado à imprensa que o governo Trump está interferindo no processo eleitoral em andamento no país sul-americano.

Trump já havia comentado sobre outras eleições na região. Um desses casos foi o de Honduras, onde, dias antes da eleição de 30 de novembro, comunicou seu apoio ao então candidato do Partido Nacional, de direita, Nasry Asfura, agora presidente da nação centro-americana.

O chefe de Estado americano ignora e viola princípios do direito internacional que estipulam que os processos eleitorais são uma questão interna de cada Estado, e nenhum outro país pode se intrometer.

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