Por Roberto Morejón.
Cuba ajudou o povo e o governo colombianos em seus esforços para implementar processos de paz, um objetivo para o qual o líder Raúl Castro contribuiu.
O ex-presidente, que foi imputado ilegalmente pelo Departamento de Justiça dos EUA por um incidente ocorrido décadas atrás, facilitou as negociações entre o governo colombiano e as então insurgentes FARC, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
As negociações, que começaram em Havana em 19 de novembro de 2012, avançaram apesar das previsões de fracasso.
O líder cubano, que ao lado de Fidel Castro esteve à frente da insurreição contra a ditadura de Fulgencio Batista, que culminou vitoriosa em 1959, sabia o quão difíceis seriam as negociações no país sul-americano, que estava mergulhado em conflito armado de várias décadas de duração.
Após negociações complexas, as partes assinaram acordos sobre cessar-fogo e cessação das hostilidades, entrega de armas e garantias de segurança, um marco considerado um passo adiante.
Raúl Castro, quem foi ministro das Forças Armadas Revolucionárias por muitos anos, declarou: “A paz não é uma utopia; é um direito legítimo de todo ser humano e de todos os povos”.
Humberto de la Calle, chefe da equipe de negociação do governo colombiano, destacou, em entrevista posterior, o papel do governo cubano nas negociações e o descreveu como extraordinariamente importante.
Anos depois, Havana também sediou uma etapa das negociações de paz entre o governo do país sul-americano e o ELN (Exército de Libertação Nacional), até sua conclusão por ordem do então presidente Iván Duque.
Os cubanos, cientes do papel que o líder da Revolução desempenhou tanto dentro quanto fora do país, rejeitaram a infame acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra Raúl Castro e, em entrevistas à imprensa, enfatizaram que essa medida carece de legitimidade.
Para lá da falta de jurisdição, é óbvia a intenção de provocar politicamente as autoridades nacionais partindo da manipulação do incidente que levou a abater sobre o espaço aéreo cubano, em 1996, duas aeronaves operadas pelo grupo terrorista Irmãos ao Resgate, estabelecida em Miami.
O grupo havia violado o espaço aéreo cubano para fins hostis, e Havana alertou sobre a gravidade dos acontecimentos.
Como salientou o governo cubano, a acusação contra Raúl Castro faz parte de um plano de elementos anticubanos para construir uma narrativa fraudulenta a fim de justificar o bloqueio intensificado, incluindo o bloqueio energético.
