O presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou hoje que “a vida exemplar de Ramiro Valdés nos ensina que a Revolução se faz com humildade, disciplina e fé infinita na vitória”.
Na cerimônia de despedida e sepultamento dos restos mortais do Comandante Ramiro Valdés no Complexo Escultórico da cidade cubana de Santa Clara, o presidente destacou sua profunda ligação com a cidade que ajudou a libertar sob o comando de Che Guevara.
“Ramiro está mais uma vez em Santa Clara, cidade amada que ele ajudou a libertar como parte da vanguarda rebelde sob o comando de Che”, declarou Díaz-Canel em seu discurso.
O chefe de Estado cubano traçou a trajetória de Valdés desde suas origens humildes no bairro de La Matilde, em Artemisa, onde nasceu em uma família pobre “com chão de terra e teto de papelão”, até sua ascensão como um dos pilares fundamentais da Revolução.
Díaz-Canel descreveu o Comandante como “um homem de silêncios” que diariamente seguia o preceito de Martí de que “a melhor maneira de dizer é fazer”.
Destacou sua dedicação absoluta à causa revolucionária por mais de 70 anos, desde o ataque ao Quartel Moncada — onde foi o primeiro a entrar pelo Portão 3 — até a Invasão do Oeste de Cuba como segundo em comando da Coluna 8 Ciro Redondo, sob o comando de Che Guevara.
O presidente cubano recordou a relação fraternal entre Valdés e Che Guevara, a quem conheceu no México e acompanhou nas montanhas.
“Fidel confiou a ele a missão de zelar pela vida de Che, uma missão impossível com um homem tão audaz”, observou o chefe de Estado, acrescentando que, quando o guerrilheiro morreu na Bolívia, foi Ramiro quem liderou a missão de busca, exumação e translado de seus restos mortais para Cuba. Após o triunfo revolucionário, Valdés assumiu a tarefa de organizar os órgãos de segurança do Estado e, posteriormente, liderou setores estratégicos como telecomunicações, energia, construção e mineração.
“Um homem que não estudou engenharia soube se cercar dos melhores mentores e demonstrar que o compromisso revolucionário é a melhor força motriz para superar qualquer desafio”, afirmou o presidente.
Díaz-Canel destacou a lealdade de Valdés a Fidel e Raúl Castro como o “eixo central” de sua vida, uma lealdade “nascida de anos de luta compartilhada e de uma visão comum para o futuro de Cuba”.
“A história mostra que, para ser revolucionário, é preciso ser romântico, idealista e, acima de tudo, apaixonado pela Revolução”, citou Díaz-Canel, atribuindo as palavras do próprio Comandante.
Díaz-Canel recordou a incansável ética de trabalho do Comandante, mesmo em seus últimos anos: tanto que, há poucos meses, quando ele não era visto na inauguração de parques fotovoltaicos ou em visitas a usinas termelétricas, todos perguntavam onde estava Ramiro.
Sua diligência era impressionante; ele estava ativo e prestes a completar 94 anos, a idade em que nos despedimos dele.
O presidente afirmou que o mausoléu onde suas cinzas agora repousam “será um lugar para a luta pela causa do povo, uma trincheira, ou melhor, um acampamento, um campo de batalha onde não haverá descanso”.
“Obrigado por sua dedicação, seu compromisso e seu exemplo, querido Ramiro. Até a vitória, sempre!”, declarou Díaz-Canel.
Fontes: Granma/PL
