Cuba criticou, na Cúpula Ibero-Americana, o endurecimento do unilateralismo dos Estados Unidos, e reiterou sua denúncia contra o bloqueio econômico, comercial, financeiro e energético intensificado contra a ilha, por meio de medidas contrárias ao Direito Internacional.
Ao discursar no segmento ministerial do evento, em Madri, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, alertou para “a ingerência nos assuntos internos dos Estados (…), com marcante caráter extraterritorial, e a intimidação — inclusive para obstaculizar a cooperação e impedir as legítimas relações comerciais entre Estados soberanos”.
Durante sua fala, ressaltou que, neste ano, Washington intensificou o cerco contra Cuba, “incluindo a imposição de um bloqueio energético, que equivale a um bloqueio naval, e sanções secundárias que dificultam as relações econômicas e comerciais”.
Todas essas medidas causam sofrimento ao nosso povo, constituem um ato de punição coletiva, violam o Direito Internacional e são prejudiciais ao patrimônio da nossa Comunidade, afirmou o chanceler.
Da mesma forma, agradeceu aos países ibero-americanos “que votaram a favor da aprovação” da resolução que pede o fim do bloqueio a Cuba, apresentada na semana anterior na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Ao comentar o amplo apoio recebido por Cuba na ONU, disse: “Ladram, Sancho, sinal de que estamos cavalgando”, em alusão a uma expressão tipicamente espanhola.
Rodríguez elogiou o papel da Conferência Ibero-Americana em sua capacidade de reunir “nossos 22 países, a partir de sua cultura comum e rica diversidade, para cooperar com base no respeito e no benefício mútuos, e avançar rumo à concretização de objetivos compartilhados”.
Referiu-se ao contexto global — que inevitavelmente impacta o espaço ibero-americano —, marcado pelo reforço do unilateralismo por parte da maior potência militar do planeta, bem como pela impossibilidade de impor a paz por meio da força, entre outros temas.
“Nós, países ibero-americanos, demonstramos que é possível alcançar resultados tangíveis em questões prioritárias, como a segurança alimentar, a transformação digital, a redução de riscos de desastres, a educação e o enfrentamento às mudanças climáticas”, acrescentou.
Por outro lado, expressou seu reconhecimento à Espanha pelos resultados notáveis alcançados e por sua liderança à frente da comunidade, bem como à Secretaria-Geral Ibero-Americana, e destacou o compromisso de Cuba com o esforço de construir uma ordem internacional mais justa e sustentável.
Fonte: Prensa Latina
