Por Roberto Morejón.
Cuba está abrindo caminho para uma maior flexibilidade econômica, pressionada pelo endurecimento do bloqueio econômico e o energético imposto pelos EUA.
Em discussões com estruturas do Partido Comunista e parlamentares, novas aberturas e mudanças na organização do governo estão sendo consideradas.
Cuba se prepara para implementar notáveis transformações, levando em conta que, em tempos de crise, quando o país está sujeito a severas privações materiais e interrupções nos serviços principalmente por causa do boicote de Washington, é imperativo mudar tudo o que for possível e necessário.
De acordo com os objetivos expostos pelo governo, as medidas emergentes buscarão impulsionar a produção agrícola e industrial, criar riqueza, distribuí-la com justiça social e aprimorar o sistema econômico.
As autoridades enfatizam sua intenção de encontrar soluções para a crise apelando para uma simbiose adequada entre o planejamento centralizado, característico do socialismo, e os incentivos de mercado.
Em um passo considerado há muito esperado, estão em andamento planos para conceder maior autonomia às empresas estatais, projetadas para operar sem intermediários. Paralelamente à reestruturação do Estado e do governo, com a anunciada redução de ministérios e institutos, Cuba visa liberar verbas orçamentárias, realocando-as para programas sociais.
Diante da produção agrícola insuficiente para atender às necessidades, o país pretende conceder maior autonomia sobre o uso e a gestão da terra, reduzir as terras ociosas e facilitar o acesso dos agricultores a mais insumos, bem como aos mercados, tanto em moeda nacional quanto em moeda estrangeira.
Com planos para agilizar o comércio exterior e implementar novas medidas para atrair investimentos estrangeiros e cubanos, o governo anuncia a redução de atividades anteriormente proibidas no setor privado.
Essas e outras linhas de trabalho serão priorizadas juntamente com a implementação do programa econômico e social para 2026, a autonomia municipal e o desenvolvimento de fontes de energia renováveis.
Cuba, que planeja gerir os negócios nos setores imobiliário e turístico com novos modelos e diferentes parceiros, também visa proteger sua força de trabalho jovem e qualificada.
As autoridades estão confiantes de que essas propostas trarão criatividade para enfrentar as sérias dificuldades que assolam o cotidiano dos cubanos, agravadas pelo ataque implacável do governo de Donald Trump.
