Por Roberto Morejón.
Utilizando a linguagem da Guerra Fria, o Departamento de Estado dos EUA publicou recentemente um relatório contra Cuba, apresentando-a como a suposta fonte de problemas para os Estados Unidos e o Hemisfério Ocidental.
O documento difamatório revela, desde o título, o objetivo perverso de posicionar Cuba como o centro do terrorismo, segundo as definições de Marco Rubio, forjadas em seu papel de liderança na indústria contrarrevolucionária.
“Cuba: a capital do comunismo do século XXI” contém especulações que lembram a retórica tóxica de Pinochet ou Videla, e aspira a atribuir à nação caribenha a autoria de espionagem, subversão e manifestações de protesto nos Estados Unidos e fora daquele país.
De acordo com a associação delirante de fatos concretos com frases anticomunistas batidas, Cuba seria o centro dos movimentos guerrilheiros latino-americanos, dos movimentos sociais e dos movimentos contra a segregação racial nos Estados Unidos, além de ser a fonte das denúncias do genocídio israelense em Gaza.
Em outras palavras, a Cuba em colapso, conforme descrita pelo autor do documento, seria capaz de desestabilizar a sociedade americana e transformar suas organizações locais em instrumentos.
A ênfase exagerada e repugnante no que considera influência cubana, para além das compreensíveis expressões de admiração e solidariedade para com uma nação sob bloqueio, visa criminalizar esses sentimentos de amizade.
O relatório do Departamento de Estado não menciona em nenhum momento os planos do governo americano de incentivar o terrorismo contra Havana.
Nem menciona as tentativas de assassinar líderes e isolar a nação, cujos cidadãos estão atualmente sofrendo punição coletiva por meio da proibição da compra de combustível.
Cuba nunca representou uma ameaça para a superpotência militar, uma verdade que os autores deste panfleto procuram obscurecer porque prejudica sua narrativa de que esse perigo deve ser eliminado por meio de intervenção.
Não surpreendeu os observadores que o panfleto tenha surgido em paralelo a uma reunião recente na qual o Secretário de Estado convocou 66 países para forjar uma aliança contra o que ele descreveu como uma emergência: a ascensão do terrorismo de extrema esquerda.
Cuba rejeitou veementemente o relato do Departamento de Estado dos EUA, classificando as explicações oferecidas como retórica acusatória e observando que o documento foi endossado por um governo que viola o direito internacional e é um agressor contra nações soberanas.
