As crianças de Darién

Por Guillermo Alvarado

A selva que separa Colômbia do Panamá, conhecida como Tapón del Darién, tem 70 mil hectares de superfície e está povoada por grande diversidade de flora e fauna, animais perigosos inclusive, como serpentes venenosas, feras de tamanho médio e outras espécies.

Nessa área se cruzam extensas regiões do sul do continente e o istmo da América Central, um verdadeiro desafio para as pessoas que se dirigem ao norte, em busca das aparentes vantagens dos Estados Unidos, o país mais rico do mundo.

El Darién é um paraíso natural, onde um quarto de espécies animais e vegetais só existe lá.

Todavia, é um verdadeiro inferno para as pessoas despreparadas, que, sem petrechos apropriados, com cicerones locais ligados a quadrilhas de malfeitores, se atrevem atravessá-lo, como fazem nestes dias dezenas de milhares de desesperados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) advertiu: ao menos 19 mil crianças, acompanhadas ou sozinhas, atravessaram neste ano os 266 quilômetros de selva, o que representa um máximo histórico de migrantes menores de idade nesse território hostil.

UNICEF explica que a metade dessas crianças tem menos de cinco anos. Os menores dessa idade costumam viajar com os pais, porém no trajeto se passam muitas coisas e, de repente, podem se separar dos adultos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância afirma que é preciso focalizar essa situação como crise humanitária em toda a região, para lá dos países diretamente envolvidos, neste caso Colômbia e Panamá.

Cada criança que consegue terminar a travessia é uma sobrevivente, disse a diretora do Fundo para América Latina e o Caribe, Jean Gough. Ela detalhou que na mata cerrada os roubos, as violações e o tráfico de pessoas são tão perigosos quanto os animais selvagens e os insetos.

Não se trata da versão light pintada pela cinematografia do “Livro da Selva”, de Rudyard Kipling, e sim uma realidade crua que esses menores devem enfrentar em consequência da miséria, o abandono e a falta de oportunidades que suas famílias sofrem em seu lugar de origem.

Há informação dos que conseguiram chegar à meta no Panamá, onde sempre existe a possibilidade de que sejam expulsos, porém nunca se saberá o número exato dos que morreram no caminho.

Preocupa que no século 21 as crianças continuem sendo tratadas com tanta indiferença. Estamos falando na esperança de nossa sobrevivência como espécie!

Recordemos que as crianças nasceram para ser felizes, como dissera José Marti.

 

 

Editado por Irene Fait



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