O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva chamou o secretário de Estado americano Marco Rubio de “latino-americano frustrado” e questionou seu papel nas relações entre os dois países.
Durante um discurso no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, no estado de São Paulo, Lula afirmou que Rubio não gosta do Brasil e reiterou que sua posição difere daquela expressa pelo presidente americano Donald Trump durante as conversas bilaterais.
“Há um homem lá que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um apoiador de Bolsonaro: o secretário de Estado Marco Rubio. Eu disse a Trump: ‘Esse homem não gosta do Brasil’”, comentou o presidente.
“É um latino-americano, ou um latino-americano frustrado. Ele é descendente de cubanos de Miami, odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil”, acrescentou.
Segundo o chefe de Estado brasileiro, seu governo mantém contato telefônico semanal com o governo Trump e enviou documentos contestando os argumentos usados por Washington para justificar as medidas comerciais contra o Brasil.
Lula relembrou seus encontros com o presidente dos EUA e afirmou que Trump sempre o tratou com respeito.
Nesse sentido, insistiu na necessidade de preservar uma relação construtiva entre o Brasil e os Estados Unidos, países que mantêm relações diplomáticas há 201 anos.
“Devemos transmitir ao mundo a responsabilidade das duas maiores democracias do mundo”, declarou, referindo-se à necessidade de manter a harmonia entre as duas nações.
As declarações ocorrem em meio à crescente tensão bilateral após Washington impor novas tarifas sobre produtos brasileiros e acusar o governo Lula de não negociar de boa fé.
Rubio defendeu publicamente as medidas e culpou o presidente brasileiro pela falta de um acordo comercial, questionando também as políticas econômicas do Brasil e afirmando que as tarifas foram consequência da posição adotada por Lula.
O presidente brasileiro reiterou na sexta-feira sua rejeição aos argumentos ambientais utilizados por Washington para justificar algumas das medidas comerciais.
Afirmou que o Brasil permanece comprometido com a proteção climática e o combate ao trabalho infantil.
