O frade dominicano brasileiro e ativista social Frei Betto defendeu o fortalecimento do trabalho dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR) nas comunidades durante o lançamento do livro “Premonições de Fidel”, realizado no Museu 28 de Setembro, dedicado à organização de massas.
Betto — que conhece bem a realidade cubana e tem experiência em trabalho social como assessor da pastoral operária no Brasil — falou sobre o valor estratégico dos CDR no contexto atual, marcado por complexidades econômicas e pela intensificação do bloqueio norte-americano.”Pode haver um apagão, mas não pode haver um apagão na Revolução”, afirmou.
O teólogo enfatizou que os CDR constituem a estrutura capaz de evitar tal apagão, mantendo viva a consciência e a mobilização popular no âmbito comunitário em ações de grande impacto.
Alertou sobre o que considera um erro recorrente da esquerda continental: o abandono do trabalho político de base, que levou a delegar na magia fantástica ou plataformas de internet dominadas pelo inimigo para a educação política das massas.
O religioso lembrou o papel dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR) durante o complexo Período Especial da década de 1990, quando moradores organizados transformaram terrenos baldios em hortas para aliviar a escassez de alimentos.
Diante das dificuldades atuais, Betto defendeu a revitalização, a promoção e a expansão dessas estruturas comunitárias e destacou seu papel no trabalho social e humanitário: desde conectar uma pessoa doente ao sistema de saúde até oferecer um novo propósito a um aposentado ou educar crianças.
“O mais importante é que os CDR não fiquem neste museu”, insistiu.
E recordou que, assim como os vietnamitas contra o império, o povo cubano, organizado a partir de seus bairros, encontrará soluções para continuar garantindo “que todos vivam com dignidade e bem-estar”.
O livro “Premonições de Fidel” reúne reflexões sobre o líder histórico da Revolução Cubana e sua influência até os nossos dias no pensamento emancipatório da América Latina.
Fonte: ACN
