Por Roberto Morejón.
O anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da aliança OPEP+, com efeito a partir de maio, surpreendeu os analistas que estavam focados em decifrar o rumo da guerra comercial entre os EUA e Israel contra o Irã.
O sexto maior produtor mundial de petróleo busca explorar livremente suas vastas reservas do chamado “ouro negro”, uma possibilidade que estava limitada sendo o país membro da OPEP.
Parece que os Emirados estavam sendo prejudicados pelas cotas de produção do cartel do petróleo, liderado pela Arábia Saudita, que visava regular os preços do petróleo.
O país, agora ex-membro, produzia aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia, em comparação com sua capacidade de 4,85 milhões, daí seu interesse em explorar sua capacidade ociosa.
Observadores destacaram o desejo dos Emirados Árabes Unidos de diversificar sua economia, sem abandonar seu papel fundamental no setor energético, por meio de uma transição gradual para energias limpas.
Nessa direção, e no desenvolvimento da Inteligência Artificial, o país realiza investimentos substanciais, que poderiam ser ainda mais sustentados pelo aumento das exportações de seu petróleo bruto nacional.
O momento da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP chamou a atenção, considerando as negociações paralisadas sobre a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Os Emirados Árabes Unidos não puderam ficar à margem do conflito e viram sua produção paralisada em um cenário regional no qual ressalta o Estreito de Hormuz, ora controlado por Teerã e sitiado por Washington.
O anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, portanto, abalou o cenário já volátil do Oriente Médio, de onde emergem tensões geopolíticas que impactam sobre o mundo inteiro.
Os preços do petróleo ultrapassam US$ 110 por barril em meio à insegurança de abastecimento, à queda das exportações e à hostilidade dos Estados Unidos e de Israel. Como é sabido, a crise no Estreito de Hormuz está dificultando a passagem de petroleiros, influenciando os preços e perturbando o equilíbrio entre oferta e demanda.
Resta saber se a saída dos Emirados da OPEP diminuirá a influência do bloco, que compreende 12 dos principais produtores mundiais, e como esses produtores reagirão a essa saída.
