Casa TodosComentárioNo Equador, criticam a falta de atenção do governo à educação

No Equador, criticam a falta de atenção do governo à educação

por Irene Fait
Ecuador educación

Por María Josefina Arce.

 

A situação crítica enfrentada pelo sistema educacional no Equador gerou intenso atrito entre os profissionais da educação e o público em geral com o governo do presidente Daniel Noboa, que é criticado por negligenciar um setor vital para o desenvolvimento do país.

Quito, a capital, tem sido palco de manifestações de professores e outros membros da sociedade, que condenam os cortes de verbas que ameaçam o funcionamento básico do sistema público de ensino.

Este ano, por exemplo, 19 universidades públicas tiveram seus orçamentos reduzidos, o que limitará a capacidade das instituições de oferecer vagas e desenvolver programas de pesquisa, além de atrasar melhorias na infraestrutura.

Outro problema que exige maior atenção do governo é a evasão escolar, que atingiu níveis elevados.

Segundo relatórios de diversas organizações, cerca de 450 mil crianças e adolescentes não estão estudando atualmente, enquanto no ensino superior, a taxa de evasão ultrapassa 20%, o que significa que pelo menos 150 mil jovens abandonam os estudos a cada ano.

Este fenômeno está ligado, entre outros fatores, à pobreza, que no ano passado afetou 30% dos adolescentes de 12 a 14 anos e levou a um aumento do trabalho infantil, segundo a Declaração Nacional para a Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Soma-se a isso a insegurança generalizada no país, da qual esse segmento da população não está isento. A estratégia implementada pelas autoridades, que inclui estados de emergência e a militarização das ruas, não impediu o recrutamento de menores por grupos criminosos em ambientes escolares.

O corpo docente também denunciou demissões recentes, bem como atrasos nos processos de promoção e na padronização salarial.

Uma questão que tem recebido fortes críticas é o Acordo Ministerial 045A, que impõe uma carga horária excessiva aos educadores. A regulamentação inclui horas extras aos sábados, além das 40 horas semanais estabelecidas pela legislação nacional.

O conflito escalou a tal ponto que o Sindicato Nacional dos Educadores, juntamente com outras organizações, apresentou uma petição ao Conselho Nacional Eleitoral para destituir o presidente Noboa.

Para muitos equatorianos, a crise na educação pública tem piorado progressivamente desde que Noboa assumiu o cargo em 2023, refletindo a negligência de uma área que abre novas oportunidades de vida e contribui para o progresso do país.

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