Por Roberto Morejón.
Em relação ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, a congressista americana Teresa Leger-Fernández fez uma declaração contundente em Havana: “Não faz sentido obrigar um país a sofrer”.
A parlamentar democrata, que viajou à capital com três colegas, afirmou ter testemunhado em primeira mão o impacto do endurecimento das sanções americanas sobre Cuba.
A também democrata Maxine Dexter indicou sua intenção de tentar impedir qualquer ação militar sem a aprovação do Congresso.
Essa ideia coincide com um novo escândalo envolvendo o governo Trump, ligado à falsa alegação de drones iranianos em Cuba, sem que nenhuma prova tenha sido apresentada. A presença em Cuba de quatro congressistas democratas, assim como a visita de outros dois em abril passado, Pramila Jayapal e Jonathan Jackson, representa uma boa oportunidade para os políticos dos Estados Unidos projetarem uma imagem diferente da retórica tóxica de Trump e do Secretário de Estado Marco Rubio.
Essa diatribe, baseada na obsessão de Rubio com Cuba, repousa no suposto perigo que a ilha representa para os Estados Unidos, uma alegação que Havana nega.
Para os visitantes, foi doloroso confirmar in loco o impacto devastador do bloqueio intensificado, que se tornou mais agressivo nos últimos sete meses, somado ao bloqueio energético, imposto por decretos executivos de Trump.
A viagem do último grupo de legisladores americanos ocorreu durante uma semana em que o Sistema Elétrico Nacional sofreu seu terceiro colapso em oito dias, o quinto em 2026.
Como explicou o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levi, o sistema elétrico é afetado pelas proibições de Washington, especialmente pelo recente decreto executivo de Trump.
O ministro reiterou a falta de combustível e de acesso a peças de reposição para as usinas termelétricas e as usinas que produzem energia a partir de gás acompanhante do petroleo.
No entanto, o governo americano considera insuficientes as medidas punitivas contra o povo cubano.
No pacote de medidas mais recente, foram impostas sanções a dez entidades cubanas, incluindo o Ministério do Turismo, como se representasse uma ameaça a Washington, e as Brigadas de Resposta Rápida, que formalmente não existem.
A hostilidade continua sem cessar, como confirmaram os legisladores visitantes.
