Por Roberto Morejón.
Poucas semanas depois de se encontrar com Donald Trump em Washington, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva prepara o país levando em conta a nova ofensiva comercial do seu colega americano.
Estados Unidos propôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, reacendendo a controvérsia em torno do tema ao recorrer mais uma vez a tais ameaças.
No ano passado, Donald Trump impôs uma tarifa de 50% sobre uma longa lista de produtos brasileiros.
Ele fez isso junto com intromissões nos processos judiciais contra o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro e com insultos do republicano dirigidos ao judiciário brasileiro.
Embora mais tarde essas medidas, em grande parte, tenham sido revertidas após conversas bilaterais, a repetição de tais procedimentos provoca tensão, especialmente devido a argumentos levianos.
O representante comercial dos Estados Unidos diz que o Brasil pratica comércio desleal.
A acusação vem de um país cujo governo impõe medidas coercitivas contra outros países e restringe o comércio internacional. A resposta de Lula da Silva foi rápida e enérgica, ao afirmar que Brasília não cederá à pressão, destacou a chegada inesperada da proposta e sugeriu alianças alternativas.
Embora as novas tarifas sejam mera proposta e há produtos isentos, Lula foi enfático ao afirmar que, se não quiserem comprar do Brasil, venderão para quem quiser.
Como se não bastasse, para lá das tarifas propostas está o comportamento pérfido do senador Flávio Bolsonaro, quem estaria por trás do ataque.
O filho mais velho de Bolsonaro recomendou a medida a Trump, com quem se reuniu, como parte de sua campanha como candidato da oposição para as eleições presidenciais de outubro.
Brasil e Estados Unidos voltam a se confrontar após terem relaxado as tensões. A Casa Branca também classificou duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
E o secretário de Estado americano, Marco Rubio, destacou em tom ameaçador perante uma comissão do Congresso, que Washington havia conseguido alinhar ao seu lado América Latina, com exceção de quatro países, entre eles o Brasil — uma declaração criticada por Lula.
