Por Roberto Morejón.
Sanções unilaterais, a arma preferida da política externa dos EUA, causam mais mortes do que as que têm a ver com os combates, segundo estudos internacionais. Os Estados Unidos impuseram medidas punitivas contra um terço dos países do mundo, relata o site noticiaslatam.lat, que confirma que os EUA lideram a lista daqueles que frequentemente penalizam adversários, rivais ou países com sistemas econômicos e sociais diferentes.
Na opinião do The Washington Post, esse tipo de medida se tornou uma forma perpétua de guerra econômica.
As frequentemente chamadas “sanções internacionais”, não são, em verdade, multilaterais, pois ignoram o Conselho de Segurança da ONU e são estabelecidas fora da Carta da ONU.
De acordo com o Global Sanctions Database, isto é, Banco de Dados de Sanções Globais, os Estados Unidos, a União Europeia e a ONU sancionaram 25% dos países do mundo, e esse tipo de medida aumentou consideravelmente desde a década de 1960. No caso dos Estados Unidos, destaca-se o consenso bipartidário alcançado, e ganhou proeminência sem precedentes durante as presidências de Joseph Biden e Donald Trump.
Em junho de 2020, por exemplo, o magnata imobiliário, como presidente dos EUA, assinou uma ordem executiva com um viés amplamente vingativo, autorizando sanções contra procuradores e funcionários do Tribunal Penal Internacional.
Fez isso depois de terem sido abertas investigações contra agentes e militares americanos em conexão com supostos crimes de guerra cometidos no Afeganistão.
Somente no período entre 1971 e 2021, as sanções unilaterais causaram a morte de mais de 564.000 pessoas por ano, segundo a revista The Lancet.
Portanto, quando bancos, seguradoras e governos emitem suas ordens, causam sofrimento humano, mesmo que não utilizem as bombas clássicas empregadas em guerras.
É verdade que os países alvos das sanções tentam contorná-las por meio da colaboração mútua, mas os efeitos punitivos continuam devastadores.
A Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, Cuba e a Rússia são apenas três exemplos de nações submetidas a bloqueios, cercos e ordens destinadas a paralisar suas economias e forçá-las a ceder às táticas de intimidação dos poderosos.
A comunidade internacional deveria se articular para neutralizar a ofensiva dos sancionadores e impedir sua impunidade.
