O papa Leão XIV rebateu recentes declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, enfatizando que não teme seu governo e que continuará a proclamar sua mensagem de paz.
“Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitas pessoas inocentes morreram, e acredito que alguém precisa levantar a voz e dizer que existe um caminho melhor”, disse o pontífice no avião que o levou à Argélia para iniciar uma viagem apostólica a países africanos, que inclui visitas a esse país, bem como a Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
Questionado por jornalistas que o acompanhavam na viagem sobre os ataques que Trump lançou contra ele no último domingo, o papa afirmou: “não me considero um político, não sou um político, não quero entrar em debate com ele” e “não acredito que a mensagem do Evangelho deva ser distorcida como alguns fazem”.
“Continuarei a me manifestar contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções para os problemas”, e faço este apelo “a todos os líderes mundiais, não apenas a ele: vamos tentar acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”, acrescentou.
“Não tenho medo do governo Trump”, afirmou, esclarecendo que “não vemos a política externa da mesma perspectiva”, porque “acredito na mensagem do Evangelho como construtor da paz”.
Trump questionou a condenação do papa Leão XIV à guerra no Irã e o acusou de ser “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”, enquanto declarava à imprensa que “não era exatamente um grande fã dele” e que o papa “deveria se mexer” pois era “fraco em relação às armas nucleares”.
No último sábado, durante a Vigília de Oração pela Paz, o Santo Padre fez um apelo aos líderes mundiais para que optassem pelo diálogo diante de potenciais controvérsias e deixassem de lado o rearme, a guerra e a morte.
O líder da Igreja Católica fez um apelo para confrontar “essa ilusão de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressiva ao nosso redor” e exigiu: “Basta de idolatria do eu e do dinheiro! Basta de ostentação de poder! Basta de guerra! A verdadeira força se manifesta no serviço à vida.”
“Sem dúvida, os líderes das nações têm responsabilidades inescapáveis. Clamamos a eles: Basta! É tempo de paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearme e se deliberam ações letais!”, enfatizou.
Em 7 de abril, o papa Leão XIV condenou uma ameaça catastrófica do presidente dos EUA, Donald Trump, que naquele dia anunciou sua intenção de ordenar um ataque devastador contra a República Islâmica, capaz de destruir toda uma civilização — palavras que alarmaram e comoveram o mundo. “Todos os ataques contra infraestruturas civis são contrários ao direito internacional, mas também são um sinal do ódio, da divisão e da destruição de que os seres humanos são capazes”, afirmou o papa na ocasião, reiterando a urgência da paz, segundo reportagem publicada no Vatican News.
Fonte: Prensa Latina
