Nos últimos dias, chegou do Brasil mais uma doação de medicamentos para instituições de saúde em Cuba, como forma de contornar o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas e intensificado com o bloqueio ao petróleo após a ordem executiva do presidente Donald Trump, assinado em 29 de janeiro de 2016.
Carmen Diniz, do Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba há mais de três décadas e ativista do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra contou à Rádio Havana Cuba que a doação consistia em malas com seringas e agulhas, além de outros medicamentos, e que Camila Moraes, integrante da organização Levantamento Juvenil, as transportou durante uma viagem a Havana em abril.
Carmen Diniz relatou que a bagagem com as doações foi organizada pelo Comitê Carioca de Solidariedade com Cuba e pelo Movimento dos Pequenos Agricultores do Rio de Janeiro, mas se perdeu e foi recuperada graças aos esforços dos ativistas Marcelo Durão e Nívia Regina, do Movimento Sem Terra.
“Já está em Cuba, nas mãos do ministério da Saúde Pública, e foi entregue ao Complexo Científico Ortopédico Internacional Frank País”, afirmou Diniz, que também é coordenadora do capítulo Brasil do Comitê Internacional pela Paz, Justiça e Dignidade dos Povos e membro ativo da Rede Continental Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade com Cuba.
Este não foi o único ato de solidariedade. A agência de notícias Prensa Latina informou que, no fim de semana de 11 e 12 de abril, uma caravana de bicicletas percorreu a zona norte de Brasília em apoio à Revolução Cubana e seu projeto social.
Os participantes carregavam bandeiras cubanas e faixas rejeitando as medidas coercitivas impostas pela Casa Branca contra Cuba, como expressão de solidariedade internacionalista que relembra os gestos de ajuda do povo cubano ao Brasil.
A manifestação reuniu membros de partidos de esquerda, movimentos sociais, ativistas pró-Cuba e cubanos residentes no Brasil, que condenaram as políticas agressivas do imperialismo contra países que buscam construir um sistema social distinto do capitalismo.
O embaixador cubano no Brasil, Víctor Cairo, enfatizou a importância do evento patriótico e latino-americano, no qual amigos brasileiros, cubanos residentes no Brasil e pessoas de outras nacionalidades — como venezuelanos e colombianos — se uniram para expressar sua condenação ao bloqueio imposto à nação caribenha.
O diplomata visitou recentemente São Paulo com atividades focadas na solidariedade e na integração latino-americana.
Nesse contexto, visitou o Memorial da América Latina, onde prestou homenagem ao Herói Nacional Cubano, José Martí.
Em seus encontros, o diplomata destacou a oportunidade de avaliar possibilidades de cooperação em diversas áreas em um estado com grande potencial e como parceiro estratégico de Cuba no Brasil.
Além disso, ativistas da solidariedade distribuíram um documento em frente a uma agência do Banco do Brasil na capital, intitulado: “Cuba está em crise e precisa da nossa ajuda”, em referência ao sofrimento causado aos cubanos pela ordem presidencial assinada por Donald Trump, que ameaça impor tarifas adicionais às nações fornecedoras de petróleo para Cuba.
“Milhões de pessoas estão sofrendo em Cuba. Os Estados Unidos bloquearam o acesso ao petróleo e, como resultado, a Ilha tem grande dificuldade para produzir eletricidade”, destacou o comunicado, citado pela Prensa Latina.
O texto enfatizou a denúncia do propósito do bloqueio: estrangular o país e destruir a forma como o povo cubano organiza suas vidas.
Em eventos, o Brasil sediará conferências sobre o legado pedagógico de Fidel Castro, com um ciclo de palestras conduzido por acadêmicos renomados.
O evento, intitulado “100 Anos de Fidel: Pedagogo da Revolução”, acontece nos dias 13, 15 e 17 de abril no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, respectivamente.
A iniciativa é promovida pelo Centro de Educação Popular e Pesquisa Econômica e Social e pela Editora Inverta Ltda., como parte das atividades comemorativas do centenário de nascimento do Comandante-em-Chefe, em 13 de agosto.
Todos esses atos de solidariedade no Brasil demonstram a simpatia e o apoio que a nação sul-americana oferece diante da agressão sistemática dos Estados Unidos, que inclusive ameaça com a possibilidade de intervenção militar.
